Redução pode ajudar o Brasil. A médio prazo
Os efeitos da queda nos juros nos Estados Unidos sobre a economia brasileira dividem economistas e empresários. Em um ponto, não há dúvida: a curto prazo nada muda para o Brasil, que ainda depende do ajuste nas contas públicas para recuperar a confiança dos investidores.
Para o economista José Márcio Camargo, da consultoria Tendências, a redução da taxa melhora o cenário internacional em 99, o que deve beneficiar o Brasil. Camargo acredita que a medida reduz o risco de uma recessão mundial. O comércio internacional deve cair menos do que o previsto, o que deve favorecer as exportações brasileiras. O Brasil também pode ser beneficiado pela reversão das expectativas. Com um cenário menos pessimista, o fluxo de capitais pode voltar a ser positivo para o Brasil em meados do ano que vem, diz Adauto Lima, economista do banco Lloyds.
O empresário Sérgio Haberfeld, sócio da fábrica de embalagens Dixie Toga, não está tão confiante. Não é porque os juros baixaram nos EUA que o Brasil vai reverter a desconfiança, diz Haberfeld, a recessão já está presente no Brasil e a queda nas taxas não vai reverter isso. Para Haberfeld, a queda nos juros não vai resolver nada. Alexandre Azara, economista do banco BBA, acredita que as taxas devem cair ainda mais nos EUA, dos atuais 5% para 4% ao ano. Ainda assim, a medida não deverá provocar efeitos significativos sobre a economia brasileira. A queda nos juros é muito melhor para os países ricos do que para o resto do mundo, diz.
Na opinião de Azara, a queda nos juros no EUA tem efeito limitado porque ainda há muita incerteza na economia mundial e os investidores estão se
refugiando em aplicações com grande liquidez, como títulos do Tesouro norte-americano. Ainda não há perspectiva de reversão do fluxo de capitais para o Brasil, diz o economista do BBA.





