Redução na taxa Selic ajuda mas não resolve
O corte na taxa Selic, de 1,5%, passando de 12,75% para 11,25%, realizado pelo Comitê de Política Monetária, há poucos dias, foi um alento para o mercado, mas está longe de provocar o efeito necessário para que a economia volte a dar sinais de recuperação.
A decisão do Copom, porém, traz boas perspectivas de que a taxa Selic continuará caindo. O mercado acredita que na próxima reunião do Comitê, prevista para ocorrer em abril, a taxa deva ser reduzida em mais um ponto e, numa perspectiva otimista, fechar o ano em 9%. Desde a gestão de Armínio Fraga, presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso, a taxa de juros não sinalizava para um porcentual abaixo de dois dígitos. Fraga, que concorre à presidência do Conselho de Administração da Bolsa de Mercadorias e Futuros da Bovespa, a quarta maior bolsa do mundo, defende que o país tem possibilidade e deveria ser mais ousado no corte das taxas de juros e chegar próximo a do México, por exemplo, que é de 4% ao ano.
Seria um índice muito interessante, mas poucos, além de Fraga acreditam que o Comitê de Política Monetária seja tão ousado. O presidente do Sescap-Ldr, Paulo Caetano de Souza afirma que, mesmo com os cortes previstos, o Brasil ainda estará entre os países com maior taxa de juros do mundo. A redução é bem vinda, pois juros mais baixos vão incentivar as empresas a investir na ampliação dos seus sistemas de produção, aumentar as vendas no comércio, gerar emprego e renda. O risco de sempre todo mundo sabe é a volta da inflação. O mecanismo, contudo, da política monetária, é flexível. Os juros tanto podem ser baixados como elevados, esclarece Paulo Caetano.
Segundo ele, como o Brasil ainda tem uma boa margem para trabalhar em cima das taxas de juros, seria importante não jogar fora esta oportunidade e ajudar as empresas a crescerem, movimentando a economia e fortalecendo as empresas que são geradoras de receita e empregos. Precisamos voltar a crescer e de forma sustentável e alimentar a especulação nunca foi fórmula recomendável, nesse sentido. A desestruturação do sistema financeiro tem que ser evitada, mas as condições criadas nos últimos 15 anos são de uma generosidade sem par, canalizando lucros espantosos para o setor bancário, em detrimento do setor produtivo. Mesmo bancos oficiais, caso do Banco do Brasil, foram induzidos a desviar as suas funções para se concentrar no lucro fácil, argumenta Paulo Caetano.
Não se promove competitividade sem estimular os setores produtivos, o que é impossível com juros altos. Padrões aceitáveis de juros têm a função de disciplinar o investimento estrangeiro, eliminando o caráter especulativo. Esse capital é bem-vindo, comenta Paulo Caetano, todavia para promover desenvolvimento e não para dar continuidade ao processo histórico iniciado com a transferência das nossas riquezas naturais pau-brasil, minerais preciosos, cana-de-açúcar para outras praças.
Cortar os juros, porém não basta, dizem economistas e empresários. Para voltar a crescer, afirmam, o país precisa fazer as reformas essenciais, como a tributária. Segundo cálculo da Associação Comercial de São Paulo, de primeiro de janeiro até ontem, o contribuinte brasileiro já havia pago R$ 224,5 bilhões em impostos. Com uma carga de impostos em torno de 36% a competitividade vai para o espaço. Este é o melhor momento para fazer a reforma tributária. O governo Lula tem aprovação recorde o que significa muita força no Congresso para aprovar uma reforma que realmente atenda aos anseios da nossa economia. Não dá para esperar mais, entende Paulo Caetano.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





