Apesar do impacto imediato quase nulo do corte de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros, como avaliam economistas, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira melhorou as expectativas em relação ao comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano. Caso o Banco Central mantenha a queda dos juros, a Confederação Nacional da Industrial (CNI) revelou que deverá antecipar a revisão das projeções de crescimento da economia, feitas apenas duas vezes ao ano e que ainda estão em 2%.
Segundo o coordenador de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, se o cálculo fosse feito hoje, passada a sinalização do Copom, a estimativa feita em dezembro seria superada. ‘‘Seria mais favorável, mas ainda não refizemos a projeção’’, disse Castelo Branco.
Na próxima quarta-feira, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deverá divulgar suas novas projeções para o cenário brasileiro, que poderão incluir ajustes nas expectativas divulgadas anteriormente para a economia do País.
O diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antônio Porto Gonçalves, já prevê crescimento de 3% do PIB, enquanto a mediana das expectativas captada na última pesquisa do BC com instituições financeiras indica avanço de 2,4%. O economista da FGV reconhece que está sendo otimista. Mas leva em conta que o País tem um ano eleitoral pela frente e que o crescimento deve mesmo ficar acima da média.
‘‘Pode até ser que isto aconteça, mas é uma visão bem otimista realmente’’, ponderou Castelo Branco, que prefere apostar em quedas sucessivas da taxa básica dos juros, ao longo do ano, até chegar em torno de 15%. Há consenso, contudo, de que a leve redução de juros adotada semana passada não gera impacto na atividade. Na avaliação do economista-chefe do Banco Boreal, Elson Teles, a retração foi moderada justamente para ‘‘não exercer nenhum efeito na atividade econômica, mas apenas para funcionar como um sinal’’.
Teles projeta uma taxa de juros de 16% até o fim do ano e crescimento do PIB entre 2% e 2,5%, que não foram revisados. O economista-chefe aponta, contudo, que a retração das taxas futuras de juros, nos últimos meses, deverão gerar efeito no avanço da atividade.
Para Castelo Branco, ainda que pequena, a redução dos juros básicos acabará, sim, afetando a economia real, mas de maneira indireta. ‘‘Esta sinalização vai antecipar as expectativas. Demonstra uma nova postura do banco. E novas reduções graduais terão como reflexo um ambiente mais favorável de investimentos e mais produção’’, argumenta o coordenador da CNI.

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