Redução do preço da gasolina deve chegar diluída nas bombas
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

A redução nos preços de gasolina e diesel anunciado nesta sexta-feira pela Petrobras deverá chegar bem diluída nas bombas dos postos de combustíveis no início da semana. Essa é a avaliação do setor, por conta da recente alta do álcool anidro que integra 27% da gasolina comercializada e da tendência de recuperar margens que teriam sido achatadas pelos tributos estaduais e federais incidentes sobre os produtos (ICMS, Cide, PIS e Cofins).
A legislação brasileira estabelece liberdade de preços ao mercado de combustíveis e derivados, por isso a Petrobras não garante o reflexo da redução para o consumidor. Mas, pelos cálculos da empresa, se a queda aplicada na refinaria (de 2,7% no diesel e de 3,2% na gasolina) fosse integralmente repassada, o diesel poderia cair 1,8%, ou R$ 0,05 por litro, e a gasolina, 1,4%, também R$ 0,05 por litro.
Em Londrina, os donos dos postos estão bastante cautelosos sobre o efeito do anúncio no preço final. "Creio que o diesel traga um reflexo mais perceptível, mas na gasolina acho que vai empatar com a alta do anidro por conta da pressão da entressafra", comentou um empresário do setor que não quis ser identificado.
A Petrobras anunciou ter adotado nas refinarias a paridade com o mercado internacional (PPI), o que prevê avaliações para revisões de preços pelo menos uma vez por mês. Por esse sistema, os preços variam conforme as oscilações da cotação do barril do petróleo no mercado internacional. A decisão ficará a cargo do Grupo Executivo de Mercados e Preços, formado pelo presidente da empresa, o diretor de Refino e Gás Natural e o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores.
"O anúncio por si só é um ganho por trazer uma regra ao reajuste ou redução dos preços ao equalizar com o que ocorre no restante do mundo. Quanto à economia para o consumidor final, só teremos exata noção quando abastecermos as bombas com a nova remessa", apontou o diretor de rodovias da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) e proprietário da rede de postos Túlio, em Curitiba, Giancarlo Pasa. "Mesmo no diesel, o último leilão bimestral do biocombustível que entra na mistura sinalizou que haverá um incremento de R$ 0,3 no litro. Por essa razão temos que esperar como a carga será negociada", reforça Pasa.
Por meio de nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis-PR) celebrou a decisão da Petrobrase e observou que "já deveria ter sido tomada antes, diante da flutuação para baixo dos preços do barril no mercado internacional". Contudo, a entidade também salientou que os postos de combustíveis estão na ponta da cadeia de comercialização. Cabe ainda aguardar como as distribuidoras vão operar dentro da nova política.


