A renúncia fiscal sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) trouxe reflexos positivos para o setor automotivo. O governo deixou de arrecadar cerca de R$ 1,35 bilhão e conseguiu reaquecer as vendas de veículos novos, mas o número ainda está abaixo dos melhores patamares do ano passado. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas do primeiro bimestre de 2009 atingiram 396 mil e está 4,55% abaixo de 2008 quando foram entregues 415 mil carros.
Pensando em aproveitar os últimos dias de descontos o comerciante Valmir Joaquim Ignácio resolveu ir até a concessionária para adquirir um carro novo modelo Gol Power para a filha Tatiane Ignácio. Como ela está tirando a primeira habilitação, a ideia inicial era comprar um veículo usado. ''Mas quando eu fiquei sabendo do desconto no IPI, resolvi investir num carro novo'', completou o comerciante.
O comerciante conta que os rumores da crise em outubro fizeram-no cancelar uma viagem de férias para a Europa. Como já havia economizado e tinha o dinheiro em mãos, resolveu mudar os planos e investir no seu comércio e esperar uma boa oportunidade para comprar um carro para a filha. ''O desconto chamou a atenção porque, se eu usar o CNPJ da minha empresa eu tenho 5% de desconto, somado aos 7% do IPI sobre para 12%. Sai bem mais barato'', avalia Ignácio. Isso significa que o modelo da Volkswagem que custava R$ 40,9 mil saiu por R$ 36 mil.
Carros acima das mil cilindradas continuam recolhendo o IPI, mas em bases menores. Para modelos entre 1.001 e 2.000 cilindradas, a taxa caiu pela metade: de 13% para 6,5% (gasolina) e de 11% para 5,5% (álcool e flex). Para os carros de 2 mil cilindradas em diante ficam mantidas as alíquotas de 25% (gasolina) e de 18% (álcool e flex).
Mas quem quiser aproveitar a chance para adquirir um carro novo com desconto deve correr. A redução do IPI é resultado de uma Medida Provisória (MP) do Governo Federal para não deixar a estagnar o consumo. Segundo Cláudio Felismino, gerente de concessionária, houve muitos representantes de outros setores que reclamaram a respeito da redução do IPI que ''facilitou apenas a vida'' do setor automobilístico. ''Isso gerou um reação dos outros segmentos que passaram a cobrar ações governamentais para também auxiliar a situação deles'', avalia.
Para os representantes do setor, a redução é ''muito importante, porque foi responsável pelo aquecimento nas vendas''. ''As montadoras foram para cima do governo, no final de novembro/dezembro, contra as taxas de juros que estavam na casa dos 2,3%. Como as vendas iam cair, a alternativa foi a redução do IPI. ''Isso aqueceu de fato o mercado'', arrematou.
O justificativa do governo para a renúncia fiscal do IPI foi para estimular o setor tido como alicerce do Produto Interno Bruto (PIB). O peso das vendas de automóveis e seus negócios agregados é de aproximadamente 10% sobre o total da produção industrial do País. O impacto da medida nas concessionárias, que reforçaram seus estoques, refletiu de maneira positiva nas montadoras e fábricas onde chega a faltar carros.

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