Redução do IPI anima pouco setor de carros
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terça-feira, 06 de agosto de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros, em vigor desde o dia 1º, e a reação das vendas no varejo em julho não devem livrar o setor automobilístico de ver frustradas suas previsões para o ano.
Além de a mudança tributária ter sido aprovada num momento de turbulência no mercado, o consumidor não deve sentir, no bolso, diferença significativa em relação aos preços que vinham sendo cobrados pelas lojas.
Para atingir a meta de vendas de 1,65 milhão de unidades inicialmente prevista, o setor teria de vender até dezembro cerca de 163 mil veículos ao mês. No atual compasso do mercado, a maioria das empresas acha difícil atingir esses níveis. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entretanto, prefere aguardar até o próximo mês para apresentar nova projeção para 2002. Até julho foram vendidas 831,4 mil unidades.
Ao mesmo tempo em que comemora ''um estancamento da queda de vendas em julho, o que pode sinalizar uma reversão do mercado'', o presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho, confirma que a queda do IPI - vista como esperança para atrair consumidores - pode não representar o impacto inicialmente previsto.
Com a mudança da alíquota do IPI, que baixou de 25% para 16% para os modelos com motor de 1.0 a 2.0 deverá ocorrer uma migração para esses produtos, o que vai melhorar a rentabilidade das empresas, mas não necessariamente se reverter em aumento de vendas.
Carvalho calcula que a participação dos automóveis mais caros, hoje restrita a 20%, poderá chegar a 30% no médio prazo. Já os populares, responsáveis por 75% dos negócios do setor, passarão a ter menor representatividade. Para essa categoria, o IPI baixou de 10% para 9%, mas somente por 90 dias.
Nesse caso, a intenção do governo foi ajudar a reduzir o encalhe de veículos nos pátios das fábricas e lojas, que atingiu 170 mil unidades em junho. Em julho caiu para 155 mil unidades em razão de feirões e da redução da produção com férias coletivas. Foram vendidos no varejo 124,3 mil veículos, 11,5% a mais que em junho.


