Redução do custo Brasil pode compensar subsídios
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terça-feira, 10 de julho de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
O setor produtivo do Paraná não se abalou com a posição da União Européia (UE), que não pretende negociar os subsídios agrícolas dados aos agricultores europeus. A Faep já esperava por isso e defende a posição que a manutenção dos subsídios na Europa pode ser compensada com a retirada das tarifas de importação e com a redução do Custo Brasil.
O diretor da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, acha que com a manutenção dos subsídios na Europa dá para conquistar apenas mercados parciais, ou seja comer pelas beiradas. Ortigara lamenta a radicalização da posição européia, porque desta forma fica difícil evoluir as negociações de parceria entre Mercosul e União Européia, declarou. Só a redução das tarifas de importação não basta para tornar os produtos brasileiros competitivos. A Europa tem que ceder mais, acrescentou.
Segundo Ortigara, o Brasil não tem recursos financeiros para bancar subsídios a seus agricultores. Portanto, se a União Européia está procurando firmar sua parceria com o Mercosul deverá negociar a redução dos subsídios e das barreiras alfandegárias.Aliás essa é a proposta do Brasil ao grupo de Cairns, na Organização Mundial do Comércio (OMC), que não avançou até agora, disse.
Ortigara destacou que o Paraná tem amplo potencial para ser fornecedor de alimentos para a Europa, desde que eles flexibilizem a posição com relação as artificialidades nos preços dos produtos europeus. Ele lembrou que produtos como frango, soja, milho, carnes bovina e suína, e açúcar ficariam bem mais competitivos no mercado internacional, não fossem dos subsídios em outros países.
Custo BrasilPara o representante da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, a redução do Custo Brasil e a retirada da proteção tarifária para entrada dos produtos brasileiros na Europa poderiam compensar a manutenção dos subsídios europeus, conforme manifestou Pascal Lamy, comissário de comércio da União Européia.
Segundo Albuquerque, alguns produtos brasileiros já são competitivos na Europa, como a soja. Cerca de 70% da soja paranaense é destinada à Europa. O produto perde margem de lucro com os custos de escoamento da produção. Cerca de 25% do custo total da soja representa custos de transporte, transbordo e portuários.
Além disso, o embarque no Brasil é lento com capacidade máxima de 1,5 mil toneladas por hora, enquanto que existem portos com embarques de 5 mil toneladas por hora. Fica difícil competir em custos com essa defasagem, disse. Segundo Albuquerque, os produtos brasileiros são bastante competitivos dentro da porteira, mas passam por fases de estrangulamento depois da porteira que encarece os custos.


