Redução do algodão desemprega 37 mil
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quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Guto Rocha 
A redução da área ocupada pela cotonicultura no Paraná nesta safra vai provocar a extinção de mais de 35 mil empregos no campo. A estimativa é do técnico do Departamento de Economia da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra. Se considerarmos a redução de 110 mil hectares nas lavouras de algodão do Estado, 37 mil trabalhadores ficarão sem emprego no campo durante a safra, comenta. Ele observa que cada três ha ocupa um trabalhador. A área cultivada com algodão no Estado caiu de 182 mil ha na safra passada para 70,7 mil ha na safra atual.
Em cinco anos, segundo Turra, foram extintos 210 mil empregos nas lavouras paranaenses de algodão. Neste período, as lavouras do Estado diminuíram 634 mil ha.
Além do desemprego provocado diretamente no campo, Turra observa que a queda na área da cotonicultura gera a extinção de postos de trabalha em toda a cadeia envolvida com o produto. Desde a produção de sementes e insumos específicos, até o beneficiamento da fibra.
Só no beneficiamento, o técnico da Ocepar calcula que serão desativadas mais de 1,3 mil vagas. Segundo Turra, o Estado tem capacidade instalada para beneficiar 1,3 milhões de toneladas de algodão, e este ano serão beneficiadas apenas 134 mil toneladas. Muitas máquinas estão virando sucatas, ou sendo vendidas para o Paraguai e Argentina, comenta.
Algumas cooperativas estão se integrando para beneficiar a produção em um único local. Esta foi a forma que as cooperativas encontraram para baixar o custo de beneficiamento, comenta.
O governo foi alertado sobre o problema de desemprego que a falta de proteção à produção de algodão provocaria, afirma Turra. O técnico lembra que o País passou de exportador de algodão para o segundo maior importador da matéria-prima. E este quadro não deve se reverter, uma vez que muitos produtores já deixaram a atividade e a estrutura de beneficiamento está sendo desmontada, avalia.


