O ano de 2012 foi marcado pelas incertezas na bolsa de valores e pela queda no País da taxa básica de juros, a Selic, o que serviu para coroar o ouro como uma das mais rentáveis aplicações, com valorização de 15,26%. Porém, o cenário em 2013 será extremamente novo devido à tendência de estabilidade dos juros baixos, o que exigirá orientação de corretoras e profissionais da área para conseguir retorno como o de 35,02% de fundos imobiliários e o de 28,66% de ações de menor liquidez.
A valorização do ouro no ano passado ficou à frente do dólar (8,94%), do CDI (7,82%), da média da Bolsa de Valores (7,4%) e da caderneta de poupança (6,33%), segundo a O2 Invest. A rentabilidade do ouro nos últimos três anos é explicada porque a aplicação é considerada um porto seguro em momentos de crise. ''As pessoas procuram o ouro quando o mercado tem certa instabilidade e a Bolsa, desde 2008, vive período crítico'', diz o gerente de investimentos Rodrigo Milanez, da O2.
No caso do fundo de renda fixa tradicional, a queda da Selic para 7,25% prejudicou o retorno financeiro. Com a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 5,84% em 2012, Milanez afirma que a poupança serviu praticamente como correção para a inflação. Por isso, diz, os investidores precisarão se informar para diversificar em 2013.
Ele considera a aplicação na poupança benéfica somente aos bancos de varejo, que conseguem reaplicar os recursos em empréstimos com retorno muito superior ao que oferecem para os clientes. ''Para o banco, quanto menos orientado o cliente estiver, melhor é'', afirma. Milanez afirma que instituições bancárias são boas para serviços, mas não para investimentos.
Diretor do campus Londrina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o consultor financeiro Charles Vezozzo pensa um pouco diferente sobre a poupança e os investimentos de renda fixa. Para ele, são aplicações que atendem o pequeno investidor mesmo no caso de baixa rentabilidade.
Vezozzo conta que a poupança é algo que qualquer pessoa confia e entende, sobre a qual não incide desconto do Imposto de Renda e não tem surpresas. Em um momento de incerteza, ele cita que a poupança bateu recorde positivo na diferença entre depósitos e saques, com R$ 49,719 bilhões de saldo. ''É preciso respeitar o perfil de cada um e diversificar, mas se puder, contar com informações e com a ajuda (de corretor ou consultor)'', afirma.
Foi a busca por opções mais rentáveis que deu aos fundos imobiliários os 35,02% de retorno, segundo Milanez. Porém, o consultor diz que esse tipo de aplicação ainda não foi descoberto pelo londrinense. ''A pessoa compra parte da cota de um imóvel, tem ganho equivalente pelo aluguel mensal, mais a valorização do bem e da cota'', explica. Segundo ele, o Brasil tem deficit habitacional grande, precisa de obras de infraestrutura para crescer e para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, então esse tipo de fundo deve seguir em alta.
Vezozzo lembra ainda que o índice small cap, composto por ações que são menos líquidas, ou mais difíceis de se converter em dinheiro, teve rendimento de 28,66% em 2012. ''Mas é preciso orientação para não perder dinheiro, porque não se pode pensar em resgate em curto prazo, há taxas e, se for um valor pequeno, pode inviabilizar pelo desconto de Imposto de Renda.''

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