Redução de jornada não gerará empregos, dizem empresas
Alguns agentes políticos brasileiros acreditam que podem mudar as leis de mercado, da economia, por meio de decreto ou imposições governamentais. Esta semana grupos de sindicalistas - trabalhadores e empresariais - foram ao Congresso para discutir a proposta dos sindicatos e centrais sindicais de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas sem a redução dos salários. O argumento dos sindicatos de trabalhadores é de que, com a redução de jornada, as empresas serão obrigadas a contratar mais funcionários para as máquinas continuarem funcionando. Já os sindicatos empresariais defendem que a negociação precisa acontecer entre as duas partes conforme a necessidade e possibilidade de cada setor.
Segundo o diretor do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), Jaime Junior Silva Cardozo, que por quatro anos esteve no Conselho Municipal do Trabalho de Londrina, o que gera empregos é o aquecimento da economia. ''Se criar um decreto gerasse vagas de trabalho, não faltaria emprego para ninguém. O fato é que o mercado hoje é globalizado. Nossa economia não foi tão afetada como a de alguns países pela crise, mas houve redução da atividade produtiva sim e isso causa desemprego''. A previsão do governo, como destaca, era que a economia gerasse 1,2 milhão de emprego este ano, mas já mudou a expectativa para 800 mil empregos.
A discussão redução de jornada para o aumento de vagas nas empresas ocorre há décadas, mas alguns exemplos concretos comprovam que o discurso passa longe do que ocorre na prática. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na França na década passada. Em 1996, com uma taxa de desemprego de 12%, o governo francês instituiu a jornada de trabalho de 35 horas semanais. Uma década depois a análise da evolução da curva de desemprego é um dos retratos mais fiéis do fracasso da política. Nos primeiros anos após a implantação da ideia a taxa regrediu de 12% para 9%, conforme matéria publicada na revista Exame. Logo em seguida, o índice voltou a subir e, desde então, vem se mantendo estável na casa de 10%, um dos piores desempenhos entre as grandes economias da Europa.
Para o presidente da Federação Nacional dos Contabilistas (Fenacon), Valdir Pietrobon, a manutenção da jornada de trabalho em 44 horas semanais é fundamental para garantir mais empregos e combater a informalidade. ''Somente a redução da carga tributária que incide sobre a folha de pagamento poderá gerar mais empregos no país. Nenhum sistema que optou pela diminuição da carga horária obteve êxito na geração de mais empregos'', explica Pietrobon.
Jaime Cardozo vai mais longe. Segundo ele o governo poderia dar uma contribuição maior reduzindo custo da máquina administrativa. ''Quando o governo gasta muito e gasta mal, como é o caso do governo brasileiro, o contribuinte é chamado a pagar mais impostos. Com esta sangria nas empresas, pois é sempre bom lembrar que a carga tributária no ano passado chegou a 36% do Produto Interno Bruto, sobra pouco dinheiro para investir em novas tecnologias e aumento de produção. Sem aumentar a produção e com a economia desaquecida não há como contratar'', reforça Cardozo.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





