Redução de gás boliviano pode resultar em cortes
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Wellington Bahnemann<br>Agência Estado 
São Paulo- O anúncio de que o governo boliviano poderá não cumprir o envio de 30 milhões de metros cúbicos por dia (m3/d) ao Brasil previsto em contrato, limitando-se a despachar a média de histórica de 27 milhões de m3/d, aumenta as chances de um contingenciamento na oferta do insumo para as concessionárias de gás canalizado caso seja necessário despachar as termelétricas para garantir do abastecimento de eletricidade no País. ''A diminuição do envio de gás pode agravar a escassez do insumo no Brasil no período seco, levando ao corte do gás para indústrias'', comentou o professor do Grupo de Economia de Energia da UFRJ, Edmar de Almeida.
De acordo com o analista do Banco do Brasil (BB) Investimentos Nelson Rodrigues, essa situação evidenciada pelo governo boliviano reforça a dependência do sistema energético brasileiro das chuvas até o final de abril, quando termina o período úmido. ''Se as chuvas fossem favoráveis, a dificuldade seria menor. Mas como não está, o Brasil terá dificuldade em dividir o gás natural com a Argentina, como propõe a Bolívia'', afirmou o especialista.
Quarta-feira, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, esteve em Brasília para discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a redução da exportação de gás boliviano, de modo a gerar um excedente que seria direcionado para a Argentina. Atualmente, a Bolívia produz algo próximo de 42 milhões de m3/d, dos quais 6 milhões de m3/d são consumidos no mercado interno.
Outros 30 milhões de m3/d estão comprometidos com a Petrobras, cujo contrato tem prioridade sobre o acordo de venda para a Argentina, da ordem de 27 milhões de m3/d até 2010 - hoje, o compromisso é de entregar 7,7 milhões de m3/d, mas só recebe entre 2,5 milhões e 3 milhões de m3/d. ''O que a Bolívia quer é uma negociação política e não técnica, porque se a Petrobras bater o pé e exigir o fornecimento dos 30 milhões de m3/d, isso tem que ocorrer'', disse Almeida.


