Redução de custos consolida uso do plantio direto no PR
Vânia Casado
De Curitiba
Cerca de 85% do plantio de soja e 60% do plantio de milho, na safra 99/2000, devem ser efetivados com a técnica do plantio direto, que já se consolidou como sistema de plantio. A técnica que antes era restrita a médios e grandes produtores, hoje já é praticada por pequenos produtores, que vêm na redução de custos um dos maiores estímulos.
A expansão da técnica para atingir todo o Estado esbarra na dificuldade dos pequenos produtores em adquirir máquinas apropriadas, sendo que muitos ainda estão praticando o plantio direto com tração animal.
O plantio direto com tração animal e a adaptação do sistema para máquinas de baixa potência foi desenvolvida pela pesquisa (Iapar) e extensão (Emater), que permitiu o acesso de pequenos produtores à essa técnica, disse o engenheiro agrônomo da Emater, Felipe Paladini.
Ocorre que mesmo dirigido a pequenos produtores, o preço de um maquinário específico, em torno de R$ 15 mil, exige a formação de consórcios para que os micros e pequenos produtores possam recorrer a esse sistema de plantio.
Conforme levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o plantio direto ainda se concentra em região de plantio de médios e grandes produtores. Na safra 98/99, a técnica predominou em 84% da área plantada com soja em Ponta Grossa, e, 98% da área em Campo Mourão, 92% da área em Guarapuava, 97% da área em Cascavel, 87% em Toledo, 80% em Londrina, 65% em Maringá e 60% da área plantada em Cornélio Procópio.
A técnica avançou à medida que foi feito um trabalho de conservação de solos no Estado, o que proporcionou evidenciar as vantagens do sistema. O produtor economiza com a redução na aplicação de herbicidas e a manutenção da palha no campo aumenta a fertilidade do solo. Como consequência, o custo de produção caiu de R$ 646,00 por hectare, no plantio convencional, para R$ 592,00 por hectare no plantio direto.
Os técnicos admitem que o aumento na produtividade da soja no Paraná deve-se à expansão do plantio direto. Em 20 anos de plantio, a média de produtividade no Estado, que era de 2.200 quilos hectare, passou para 2.600 quilos por hectare nos últimos 5 anos, e 2.800 quilos por hectare na última safra. Segundo o técnico do Deral, Otmar Rubner, se a técnica for bem conduzida na lavoura, o custo de produção tende a cair mais ainda, se for levado em consideração o aumento da produtividade. Conforme levantamento feito na última safra, no plantio convencional o custo de produção foi avaliado em R$ 14,69 a saca e no plantio direto, R$ 11,85 a saca.
Além da redução de custos, a cobertura do solo aumenta a resistência à erosão e reduz a insolação, fazendo com o solo retenha mais água. Também aumenta a matéria orgânica no solo e reduz a perda de nutrientes. Com isso, a planta fica mais forte, mais produtiva e resistente a pragas. O plantio direto de soja praticamente atinge todo o Paraná e agora a tendência é avançar no plantio de milho, cujas vantagens são as mesmas que a soja. O fator limitante para a expansão da técnica continua sendo a dificuldade dos pequenos produtores em adquirir máquinas, mesmo as de baixa potência.





