Redução de alíquotas é alerta contra os aumentos dos preços
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de abril de 1999
Agência Estado 
A redução de alíquotas de importação para 89 produtos, anunciada anteontem pelo governo, serve como um alerta para quem deseja aumentar os preços de seus produtos, segundo avalia o membro do Conselho da Associação Brasileira dos Fabricantes de Eletrodomésticos (Eletros), Lourival Kiçula. Ele lembra que a decisão do governo serve como um aviso: olha, estou aqui e vou fazer algo se você aumentar exageradamente o preço do seu produto.
Kiçula salientou que uma redução média de 4% não traz um grande impacto, mas também serve para ajustar as alíquotas a nova realidade cambial do País. Alguns produtos, cujas alíquotas sofreram redução, como o caso de liquidificadores e outros produtos eletrodomésticos, não traz implicações sérias, pois os produtos nacionais são competitivos internacionalmente. Veja, por exemplo, o caso do liquidificador. O nosso produto é muito competitivo com os preços praticados no mercado internacional, afirmou.
O economista e diretor do BICBanco, Paulo Mallmann, diz que a medida de redução de alíquotas foi adotada por causa da necessidade que o governo tinha em reduzir para zero alíquotas de produtos importados da área de saúde. Foi uma medida certa, disse Mallmann.
O presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Corrêa de Lacerda, afirmou que a medida, antes de tudo, foi uma adequação das alíquotas de importação à nova realidade cambial do País. Antes, com a sobrevalorização do real, as alíquotas se mantinham lá em cima. Agora foram reduzidas. O importante é que a competição entre produtos nacionais e importados está mantida. Continuamos tendo uma economia aberta, afirmou.
Lacerda também entende que o governo, com a redução das alíquotas de 89 produtos importados, busca mostrar que está atento ao mercado e que não deseja a volta da inflação. Mostrou que tem flexibilidade para agir.


