O anúncio da redução da Selic em 0,5%, feito quarta-feira pelo Banco Central após a primeira reunião de 2012 do Comitê de Política Monetária (Copom), divide opiniões sobre a sua eficiência para o atual cenário da economia brasileira. O impacto leva a taxa de juros para 10,5% ao ano.
O economista José Ecio Pereira da Costa Junior, conselheiro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef-PR), vê com bons olhos a iniciativa governamental. ''É uma política de estabilidade econômica que tem surtido resultados positivos. Prova disto é que estamos sofrendo com a crise internacional, mas de maneira menos acentuada'', afirmou à FOLHA.
Ele explicou que a tendência é de que as instituições financeiras provoquem redução em suas taxas para empréstimos, visto que são orientadas pela Selic. ''O governo não pode sinalizar redução muito grande para evitar o excesso de consumo e consequente aumento da inflação, por isso, vem diminuindo os juros paulatinamente'', relatou. ''Dessa maneira, o BC monitora o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa básica de juros'', acrescentou. Para Costa Junior, a tendência é de que outras reduções aconteçam, pois, ''não há sinais de reversão''.
O economista esclareceu, ainda, que os resultados não serão tão significativos porque as taxas dos empréstimos que chegam até o consumidor também sofrem influência do nível de inadimplência dos créditos, e no final do ano esse índice registrou acréscimo.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, considera que a medida será benéfica para o comércio, ''visto que torna os preços mais atrativos para quem compra parcelado''. De acordo com ele, os resultados não podem ser percebidos no primeiro mês, mas após 40 dias.
''À medida que acelera a economia para que ela não perca forças, a taxa de juros menor viabiliza as vendas'', reiterou.
Redução tímida
Em contrapartida, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) não está otimista com o anúncio. A entidade considera que a redução é tímida e ainda distante do patamar necessário para incentivar o investimento do empresário. Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente Edson Campagnolo defendeu que o patamar atual ainda não é atrativo para o setor produtivo. ''Essa redução irá refletir muito pouco no caixa das empresas e no bolso dos consumidores. O momento do Brasil é bom e o governo deveria pensar em taxas similares as do pós-crise dos Estados Unidos, em 2009 quando a Selic era de 9%'', analisou.
Segundo Campagnolo, o histórico recente de patamares menores na taxa de juros brasileira demonstra que o empresário faz bom uso desse recurso. ''Com taxas mais baixas, o empresário investe mais e isso tem reflexos imediatos na economia e também deixa uma herança positiva'', completou.
Em nota, a Fiep informou que para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) o ambiente internacional de dificuldades das economias europeias continua gerando incertezas e restrição de crédito, o que justifica a atenção do Banco Central brasileiro com a liquidez e o custo do dinheiro no País. ''A CNI considera ser necessário dar continuidade ao ciclo de redução dos juros, de modo a atenuar os efeitos da baixa atividade mundial na economia brasileira e evitar novo movimento de valorização cambial'', citou.

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