O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu pela nona vez a tática de reduzir a taxa básica de juros, conhecida como Selic, para tentar estimular o consumo interno e elevar a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa caiu de 8% para 7,5% ao ano, o que torna menor o rendimento de aplicações financeiras em bancos em relação a outros investimentos, como a compra de imóveis ou produtos. Para isso, os empresários precisam investir mais em produção e os bancos, repassar a queda aos juros bancários, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA.
A medida anunciada na noite de anteontem, assim como a prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, móveis, eletrodomésticos da linha branca e construção civil, visa elevar a previsão do PIB para quantia mais próxima do que o governo federal espera, de 4%, do que da expectativa do mercado, de 1,7%.
A Selic caiu de 12,5% para 7,5% ao ano desde agosto de 2011, uma redução de 40% do total que não foi repassada pelos sistema financeiro nacional (SFN) aos consumidores. No mesmo período, a taxa média de juros bancários foi reduzida de 121,21% para 102,97%, ou 15,04% do total a menos, segundo o Banco Central. ''A Caixa Econômica e o Banco do Brasil devem diminuir ainda mais os próprios juros e os bancos privados terão de ir atrás'', acredita o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira.
Oliveira estima em um mês o tempo para que o consumidor sinta a queda dos juros nos bancos. Porém, ele coloca a confiança do empresário como motor principal para a retomada do crescimento brasileiro. ''As pessoas estão endividadas, ainda sem muita margem para novas compras, então empresas mostram um pé atrás em investir mais'', diz o economista, que condiciona a redução da taxa bancária de juros também à inadimplência.
Apesar de elogiar a redução da Selic, o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, acredita que a medida é pouco perto da necessidade do País. ''Continuamos longe de ter uma taxa de juros similar à de nossos principais concorrentes'', disse, por meio de nota. Ele considera que a medida é importante e que deveria ser o início de uma reforma estrutural para promover o crescimento a longo prazo.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também soltou nota na qual lembra que o setor é o que mais sente a desaceleração da economia e ainda não cresceu no ano. A entidade também mostra confiança de que a inflação está sob controle, o que permitiria novas reduções da Selic. Mesmo assim, o Copom não revelou viés para a nova reunião de outubro sobre a taxa, que indicaria se há expectativa de reduzir ou de aumentar a Selic em uma próxima oportunidade.
Bancos em foco
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atacou ontem os bancos ao dizer que o patamar da Selic está adequado, mas que os juros bancários não estimulam o consumo. O delegado do Corecon disse que a taxa de juros menor possibilita que empresários consigam mais empréstimos, para financiar a produção.
Ele insistiu que o PIB deve ficar em 4% em 2012. O economista londrinense, porém, crê que fique próximo a 2%. (Com Agências)

Imagem ilustrativa da imagem Redução da Selic busca dar confiança a empresários
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