A queda na produção de feijão no Paraná está provocando distorções na comercialização do produto nos grandes centros como no Rio de Janeiro (feijão preto) e em São Paulo (feijão de cores, do tipo carioca). É que, pela primeira vez, em plena colheita, o preço aumenta, prevendo escassez do produto antes mesmo do intervalo da entressafra.
Os produtores de feijão preto de Prudentópolis, no Sul do Estado, iniciaram a colheita do produto na semana passada, que deve se estender para outros municípios nos próximos dias. Mas no preço do feijão passou de R$ 30,00/35,00 na quinta-feira passada, para R$ 40,00 ontem, conforme informações de atacadistas.
Empacotadoras da região confirmam a alta inesperada e só têm uma explicação: ‘‘as notícias sobre a redução da colheita este ano já chegaram ao Rio de Janeiro’’, segundo Gonçalino Chaves, da cerealista Malanski, tradicional empacotadora de feijão de Irati.
Com o feijão carioca, produzido nas regiões Central e Vale do Ivaí, não é diferente: o preço se mantém firme em plena época de oferta. Mas não será novidade se de repente desabar de novo. Foi esta a redução da área plantada no Paraná.
A realidade do feijão está mudando no Paraná. Irati, continua sendo o grande referencial nacional de feijão preto. Mas não é como 10 anos atrás, segundo garantem tradicionais comerciantes locais. Apucarana, Ivaiporã e Maringá, também deixaram de ser fortes centros de comercialização. Nos três grandes polos, mais de uma centena de ceralistas deixaram de operar nos últimos cinco anos.
O desestímulo ao produtor pela ausência de política de preços levou ao encarecimento do produto que, por sua vez, levou à redução de consumo. Feijão caro e macarrão barato - ou comparativamente barato - levou a um deslocamento do consumo sem volta.
Os Malanski, de Irati, lembram que em 1993 o consumo per capita de feijão preto era de 28 kg/ano nos centros de consumo como Rio de Janeiro ou Porto Alegre. No ano passado, a estatística apontava para 14 a 15 kg/per capita/ano. Ao contrário de outras culturas, o feijão não avançou industrialmente dando poucas opções culinárias. Apesar de alimento nobre, encontra dificuldade no mundo moderno da refeijão rápida e pronta.
Outra dificuldade para o produtor paranaense é expansão da cultura para outras regiões como nos cerrados de Goiás, onde é produzido em larga escala, em propriedades irrigadas.

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