A safra 2011/12 paranaense de grãos deve ser 8,8% menor do que a anterior. A previsão é do Terceiro Levantamento, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas o superintendente do órgão federal no Estado, Lafaete Jacomel, avalia que a redução pode não ser tão intensa. Ele explica que o decréscimo expressivo é resultado da metodologia empregada pelo órgão, que utiliza como base de cálculo a produtividade média das culturas registrada em anos anteriores, que é baixa comparada ao recorde alcançado na safra 2010/11.
Segundo Jacomel, no ano passado, a produtividade foi excelente em todas as culturas, com média recorde de 4.822 kg/ha. Mas o levantamento usa a média histórica, que derruba a produtividade. ''As culturas ainda estão em estágio vegetativo e essa previsão inicial não significa que a safra 2011/12 não possa se igualar ou superar a anterior'', esclarece.
Mas a redução das áreas de cultivo de arroz, feijão, soja e trigo também é fator determinante para o resultado previsto. No total, a área de grãos deve ocupar 8,39 milhões de hectares na safra 2011/12, 6% menor do que os 8,93 milhões de hectares do ciclo 2010/11. Já a produção total esperada é de 29,60 milhões de toneladas, diante das 32,44 milhões de toneladas da safra anterior.
Em função do preço baixo, o arroz deve ter a área reduzida em 15% no Paraná, conta o superintendente. Como consequência, a produção pode diminuir 21,3%. A maior queda prevista é na área de feijão primeira safra, que pode ser 27,2% menor à da safra 2010/11. ''O excesso de chuvas e a dificuldade de comercialização na safra passada, aliados ao preço favorável do milho no período de plantio, resultou nessa redução expressiva do feijão'', analisa Jacomel.
Apesar da alta liquidez, alguns sojicultores também optaram pelo milho na safra verão, resultando em uma diminuição de 10,3% na área ocupada pela oleaginosa no Estado. Jacomel explica que o recuo de 17,2% na produção também é resultado do cálculo feito com uma produtividade média de 3.100 kg/ha, valor baixo diante dos 3.360 atingidos na safra 2010/11.
A estimativa para o trigo ainda é preliminar e mantém a redução já registrada nos últimos ciclos. Os preços baixos e a dificuldade de comercialização continuam levando os produtores a optar pelo milho. ''Mas se o milho contabilizar uma super safra e os preços consequentemente sofrerem queda, alguns triticultores podem mudar de ideia e voltar para o cereal na próxima safra'', argumenta.
Impulsionado pelos preços positivos e pela alta liquidez, o milho segue a tendência de expansão, com estimativa de área 18,9% superior à da safra 2010/11. ''As áreas em redução de arroz, feijão, soja e trigo devem ser ocupadas pelo milho'', conclui o superintendente da Conab no Paraná.
Clima
O Terceiro Levantamento da safra 2011/12, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontou que as precipitações ficaram abaixo da média histórica na maior parte do Centro-Sul durante o mês de novembro. Como nessas regiões o plantio está ocorrendo dentro do calendário ideal, ainda não há sinais de déficit hídrico que possam comprometer significativamente o rendimento das lavouras.
''O clima está favorável e não há comprometimento da produtividade das culturas até agora. Somente as lavouras de feijão e soja podem apresentar retardamento de ciclo, devido às frentes frias registradas no último mês'', afirma Jacomel.

Imagem ilustrativa da imagem Redução da safra deve ser menor que previsão da Conab
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