Redução da oferta eleva preço do café
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - A redução da oferta mundial de café tem garantido alta consistente dos preços do produto. Os contratos futuros na New York Board of Trade (Nybot), de Nova York, alcançaram nesta semana os níveis mais altos dos últimos cinco anos. Junto com o açúcar, o café poderá contribuir para amenizar as perdas na balança comercial do agronegócio este ano, já que outras importantes commodities agrícolas, como soja, milho e trigo, amargam baixos preços.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante seminário esta semana em Brasília, avaliou que o ciclo de preços ruins para a cafeicultura terminou. A saca do café no Sul de Minas bateu em R$ 300 livre ao produtor nesta semana. Há um ano a saca valia cerca de R$ 200. Em 2002, quando os preços tiveram queda histórica, a saca estava em R$ 110.
Segundo o ministro, no próximo ano a oferta também será menor do que a demanda. A Organização Internacional do Café (OIC) estima que a produção mundial de café em 2005/06 deve ficar entre 106 milhões e 108 milhões de sacas de 60 kg. Isso representa um déficit de cerca de 7 milhões de sacas em relação ao consumo.
Apesar da perspectiva otimista, os produtores não estão satisfeitos. Existe pressão para que o governo conceda o parcelamento das dívidas contraídas nas últimas três safras. No entanto, diante da firme posição da área econômica do governo em não ceder, por causa do atendimento a outras prioridades na área agrícola, os representantes do produtores já aceitam renegociar apenas as dívidas referentes à safra 2004/05. Estima-se que as dívidas dos cafeicultores referentes aos empréstimos para financiamento de custeio, colheita e estocagem das três últimas safras somam R$ 536 milhões. Desse total, cerca de R$ 100 milhões foram quitados até o último dia 10.
O corretor Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), pondera que os pequenos e médios produtores pouco se aproveitam da atual alta dos preços porque já venderam a produção. A colheita da próxima safra começa em abril, mas o Brasil deve colher pouco (entre 30,7 milhões e 33 milhões de sacas de 60 kg) em comparação com o potencial do parque cafeeiro.


