O líder do Executivo na Câmara e autor do projeto de lei que revoga a Lei da Muralha, vereador Roberto Fú (PDT), não tinha conhecimento da reunião que envolveu a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) e o próprio prefeito Barbosa Neto (PDT). O encontro, realizado no final da tarde de sexta-feira, discutiu a proposta de reduzir em 20% a área do quadrilátero prevista atualmente na lei nº 9.689/05. Fú se mostrou surpreso ao saber da reunião e questionou o fato de não ter sido convidado a participar.
O vereador alegou que mesmo com a redução, a ''Muralha'' continua inconstitucional, pois, ao demarcar uma região na qual não podem ser instalados determinados estabelecimentos comerciais, fere a livre concorrência. Fú, entretanto, se colocou à disposição para discutir a nova proposta. Segundo ele, a área central da cidade realmente não comporta mais grandes estabelecimentos, mas já existem leis - como a exigência do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) - que proíbem novas instalações que possam causar impacto negativo na região.
Para o empresário Oswaldo Pitol, do Movimento Londrina Competitiva, ''a redução de 20% no quadrilátero é ridícula'', pois continua beneficiando apenas um segmento da economia. Segundo ele, as limitações impostas, mesmo com a diminuição da área de abrangência, colocam na marginalidade os investidores que pretendem se instalar em Londrina, afastando-os da área urbana.
Pitol argumentou que se os objetivos fossem de fato ambientais, a mesma justificativa utilizada para restrição a novas lojas de material de construção, supermercados e shoppings, deveria ser aplicada a hotéis, hospitais e lojas de departamentos, tendo em vista que eles também afetam a localidade em que se inserem. ''O envolvimento de apenas um segmento da economia é feito para gerar reserva de mercado e proteger os que já estão estabelecidos, evitando a concorrência'', criticou.

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