Redução chega mais perto do consumidor
A nova queda de juros decidida ontem pelo Banco Central deve intensificar o movimento de redução das taxas cobradas do consumidor, que começou na semana passada e ganhou novo impulso segunda-feira, refletindo o corte de sexta-feira. Nos últimos 30 dias, a taxa básica (Selic) caiu 12 pontos porcentuais. Desde março, quando subiu para 45%, o corte já é de 18 pontos porcentuais.
Essa é, com certeza, a trajetória de queda mais acentuada adotada pelo País depois de momentos de crise, observou Odair Abate, economista-chefe do Lloyds.
O Bradesco, por exemplo, alterou seus juros ontem, reduzindo a taxa de financiamento de veículos de 3% para 2,60% ao mês em prazos de até 24 meses e no crédito pessoal de 6,5% para 5,5% em até 12 meses.
No Unibanco, nas últimas três semanas, de acordo com o diretor-executivo Hugo Anversa, as taxas já caíram cerca de cinco pontos porcentuais. A taxa de empréstimo pessoal, que era de 6%, caiu para 4,9% numa promoção de Dia das Mães e, com o novo corte, deve ser mantida. O Banco Panamericano deve anunciar novas taxas hoje.
O governo brasileiro está ganhando credibilidade internacional e isso está fazendo com que recursos externos voltem para o País, ajudando a criar o clima de estabilidade que permite a queda dos juros, analisou Ricardo Malcom, vice-presidente da Associação das Financeiras (Acrefi).
Ele diz que a queda de juros dos últimos dias vai chegar rapidamente ao consumidor. Ele espera que a taxa básica chegue a 20% ao ano nos próximos 60 dias.
A perspectiva dos economistas é terminar o ano com juro nominal inferior a 20%, o que fará com que a taxa média no ano fique abaixo da meta de 28,8% negociada com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na avaliação de economistas e executivos do mercado financeiro, o Banco Central está aproveitando o bom momento da economia brasileira dado pelos novos - e novamente descrescentes - índices de inflação e, também, pelo ingresso de capitais externos de maior qualidade.





