Redondo trocou a arte pelo design


Paulo Wolfgang
Franchello: detalhes



Marcos Borges
Redondo: novidade















Laércio Redondo, 29 anos, trocou a arte pelo design ao sentir dificuldade de sobreviver como artista plástico. O seu grande negócio hoje é rejuvenescer peças de madeira com pastilhas de vidro, mosaicos de cerâmica. Isso depois de pesquisar a tradiçao da arquitetura brasileira e fazer releituras de Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Lúcio Costa.
‘‘É superdifícil viver de arte, e nao só no Brasil. É difícil até mesmo manter o trabalho; e se você nao quer mudar a sua linha para ser mais facilmente aceito pelo público, é melhor trocar de atividade’’, afirma ele, lembrando da época que decidiu partir para outra - ainda que bem perto de sua área de atuaçao.
Com curso de História da Arte em Perugia (Itália) e especializaçao em Gravura na Varsóvia (Polônia), Laércio encontrou em estantes, vasos, pratos e carrinhos de bebida a inspiraçao para oferecer o novo a Londrina e ganhar espaço em Sao Paulo. Sua exposiçao Trovo Design na Capital paulista, com 58 peças em madeira e pastilhas, foi divulgada em grandes jornais e revistas e levou o seu nome para outras paradas, no ano passado.
O curioso é que Laércio encontrou retorno em Sao Paulo, e nao Londrina. O londrinense nao conhece o trabalho que ele deixa à disposiçao do público nas galerias Sao Paulo Crafts e Rahdesign, ambas nos Jardins. O londrinense, na verdade, nem o conhece como designer. De qualquer modo, Laércio encontrou um filao. Tudo o que faz, vende em Sao Paulo. ‘‘É uma atividade rentável; eu só nao posso dizer o quanto porque a minha margem de lucro varia muito.’’
‘Arroz de festa’Sem querer, o agente de viagem Marcelo Franchello, 33 anos, encontrou uma atividade paralela rentável e de certo modo divertida. Depois de se infiltrar naturalmente na chamada high society londrinense - e descobrir, através de amigos, que o seu talento vai muito além da venda de passagens aéreas - Marcelo passou a trabalhar mais e a ganhar mais. Muito mais. Festa de casamento, de aniversário, ou qualquer outro tipo de festa, é com ele mesmo.
Marcelo está há seis anos no agito, organizando tudo. ‘‘O meu cliente nao se preocupa com nada. Se é um casamento, eu cuido da confecçao dos convites, da decoraçao, da noiva, contrato músicos ou coral, coordeno o buffet; eu vejo até se os garçons estao de banho tomado e com os dentes escovados, se as toalhas estao bem passadas; vejo tudo’’.
Marcelo diz que leva até três meses para organizar uma grande festa, e quando ela acontece, trabalha até 14 horas em pé. Sao festas que enchem os olhos dos convidados e que se diferenciam de outras porque ele cuida, mesmo, dos mínimos detalhes. E traz principalmente da Europa muitas novidades em decoraçao e menu. Também se especializa lá fora, fazendo cursos profissionalizantes. ‘‘Hoje sou bastante solicitado, até mesmo por empresas’’, comenta, informando que até julho tem 14 grandes eventos na agenda - a maioria casamentos.
Segundo ele, um casamento médio para 300 convidados sai por volta de R$ 14 mil - ele leva R$ 2 mil e ainda vende jóias para a noiva, a mae da noiva, vende até a lua-de-mel. Marcelo também organiza cursos de culinária: ‘‘Vou trazer de Paris Olivier Anquier, o marido da Débora Bloch, para um curso de paes, e o chefe de cozinha Emmanuel Bassoleil, de 3 a 4 de março.’’

mockup