Curitiba - Em março deste ano, durante um jogo entre Corinthians e São Paulo, um corintiano colocou em seu Twitter mensagens provocativas contra o time adversário. Tudo não passaria de uma brincadeira entre torcedores, certo? Mas havia um detalhe: o empolgado internauta era diretor de uma empresa que estava estampando um patrocínio na camisa do São Paulo naquela partida. O diretor acabou demitido.
O episódio é um exemplo clássico de como o uso das redes sociais na internet (Twitter, Orkut, Facebook, Linkedin) pode comprometer a carreira de um profissional.
''As redes sociais são uma maneira de se relacionar com profissionais da própria área, dar visibilidade para o seu perfil e ficar antenado dentro do segmento. O Linkedin, por exemplo, tem grupos específicos, onde é possível obter informações sobre trabalho, mercado, empresas. Mas o profissional também acaba se expondo'', afirma Carlos Contar, diretor regional da empresa de consultoria Business Partners. ''Como toda ferramenta, as redes sociais podem ser positivas e negativas. Tem que saber utilizá-las.''
O publicitário Ricardo Hellmuth Schrappe, diretor da agência de comunicação Fuego e diretor administrativo e financeiro do Clube de Criação do Paraná, utiliza as redes sociais diretamente no seu trabalho, principalmente o Linkedin, mas também outras ferramentas, como o Plaxo (''mais para manter contatos atualizados'') e o Facebook.
''Essas redes sociais permitem que você tenha acesso a muitos contatos e informações. Elas abrem mais possibilidades e oportunidades do que você teria caso se informasse apenas 'socialmente''', aponta o publicitário. Ele cita um exemplo das vantagens que as redes virtuais oferecem.
''Um cliente em uma multinacional me pediu para colocar um depoimento no Linkedin. Pouco depois, ele foi promovido. Claro que isso não aconteceu apenas por causa do depoimento, mas isso mostra como as redes na internet podem ser úteis para entender o perfil de um profissional. Sempre entro nas redes sociais e vejo o que outros profissionais estão falando. Uma coisa é o que a pessoa diz numa entrevista; outra é o que ela fala nesses locais'', relata.
Mas Schrappe recomenda cautela. ''As redes sociais são públicas. Você não pode colocar sua vida toda ali. Eu não coloco família no meio, não falo se vou viajar, não informo quanto eu ganho'', explica o publicitário.
O consultor Carlos Contar também alerta para alguns riscos do uso pouco criterioso desses sites. ''Por exemplo, seu superior pode ver o seu perfil e ver com quem você está conectado. Se você está relacionado a alguma pessoa da concorrência ou que esteja desalinhada com o perfil da empresa, isso pode ser um problema. Além disso, muitas empresas podem fazer avaliações baseadas no seu perfil nessas redes ou no perfil de pessoas do seu grupo, e isso resulta num estereótipo. Quanto mais alto um profissional está, mais a vida pessoal se mistura com a profissional'', descreve o consultor.

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