Carmem Murara
De Curitiba
Os fornecedores paranaenses das maiores redes supermercadistas que atuam no Paraná reiniciaram ontem mais uma bateria de negociações para tentar impedir que continuem a ditar as regras de compra e venda de mercadorias. As fornecedoras de produtos industriais acusam as grandes redes supermercadistas de estarem fazendo um verdadeiro ‘‘genocídio’’ da indústria do Paraná, ao utilizar a prática de dumping e de cobrar taxas absurdas, que poderão quebrar a indústria local a curto prazo. A maioria delas teve um aumento de até 15% no custo final de venda de mercadorias para o varejo.
A tentativa de negociação iniciou ontem com o grupo Sonae, considerado o mais prepotente entre as demais redes, apesar de ter sido o único que concordou em sentar à mesa para uma conversa. Os fornecedores se reuniram com o presidente da Sonae, José Baeta Tomás, e outros diretores da rede portuguesa de supermercados. Baeta não quis conversar com a imprensa. No início da reunião ele tentou dar um ar de descontração e chegou a elogiar o Brasil. ‘‘É com satisfação que temos relações comerciais com o Brasil’’, disse ao grupo de empresários. Muitos deles já foram, inclusive, descredenciados e não fornecem mais para a Sonae.
Antes de os diretores da Sonae chegarem, o clima era de descontentamento e indignação. ‘‘Com essa política de levar vantagem em tudo, eles (supermercados) estão esmagando a indústria paranaense’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Produtores de Carne, Péricles Salazar. Os fornecedores de pescados e de produtos lácteos fizeram coro com Salazar. Eles reclamam de não haver nenhuma política eficaz que garanta a sobrevivência da indústria local.
As redes adotaram a prática de cobrar taxas que até então eram desconhecidas. Os fornecedores são obrigados a pagar determinado valor para manter o produto na gôndola, para anunciar nos panfletos promocionais e até para inserir uma nova mercadoria. O preço mínimo pode ser de R$ 20 mil apenas para cadastrar determinada marca no supermercado. ‘‘Isso não significa que o mercado vai comprar de você o produto’’, afirmou o assessor econômico Gustavo Fanaya. O rappel (taxa cobrada quando há ampliação de rede) saltou de 0,5% para 3,5%
Quem reclama das condições impostas é dispensado e, em seu lugar, o supermercado contrata outro fornecedor, normalmente, de outro Estado. A Sonae adotou a prática de privilegiar os fornecedores gaúchos, que chegam a receber um tratamento diferenciado e com mais vantagens, afirmou um dos fornecedores paranaenses que não quis se identificar.
Os fornecedores tentarão se reunir com as outras redes nos próximos dias. Caso as negociações não avancem, eles pretendem apelar para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e para as lideranças políticas do Estado.

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