Redes negociam sem cobrar juros
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de março de 1998
Agência Folha 
A explosão da inadimplência está levando o comércio a conceder vantagens ao cliente devedor para minimizar as perdas com o calote. Desde outubro do ano passado, quando o governo dobrou a taxa básica dos juros para tentar enfrentar os efeitos da crise asiática, o número de clientes devedores do comércio cresceu, e muito.
O juro básico já recuou, apesar de continuar alto, mas a queda não deve ser repassada para quem compra a prazo, justamente por causa do aumento do calote. A anistia para o inadimplente está acontecendo por meio da redução ou até da isenção dos juros, do prazo longo para pagamento do débito e até do desconto no total da dívida. Fazemos qualquer negócio para diminuir o risco de perdas, afirma Luiza Helena Trajano Rodrigues, diretora do Magazine Luiza, rede com 92 lojas.
A rede, por exemplo, passou a enviar cartas aos clientes que estavam com prestações em atraso, solicitando contato imediato com a empresa para renegociação das dívidas. Até agora já foram encaminhadas 10 mil cartas, das quais 70% foram respondidas. A renegociação está surpreendendo.
Para os lojistas entrevistados, o cliente se tornou inadimplente sobretudo porque perdeu o emprego ou não conseguiu controlar o orçamento. Agora, com os benefícios oferecidos pelas lojas, pode estar tentando renegociar as dívidas.
Na Bernasconi, uma rede com 29 pontos-de-venda, 40% dos clientes com atrasos de pagamento superiores a 90 dias já recuperaram o crédito de janeiro até agora, conforme um diretor. A rede, que cobra juros de 4,5% ao mês, em média, para vender a prazo, reduziu para 3% ao mês a taxa cobrada do inadimplente. A empresa também parcela o pagamento e dá desconto na dívida. Tudo isso para reduzir o prejuízo com a inadimplência, que, para a rede, representa cerca de 7% da carteira de financiamento.


