Redes de farmácias terão 61% do mercado em 2017
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A participação das grandes redes de farmácias no mercado de medicamentos e produtos de higiene e beleza vem crescendo enquanto varejistas independentes perdem espaço. A conclusão é de estudo da IMS Distribution Studies divulgado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). De acordo com a pesquisa, as farmácias geridas por grandes grupos devem deter 61% do volume total do mercado em quatro anos.
O varejo farmacêutico é conhecido por sua fragmentação, mas movimentos de fusão e aquisição permitiram o surgimento de gigantes como a Raia Drogasil, a Brasil Pharma e a DPSP, fruto da união das Drogarias Pacheco e São Paulo.
Segundo a IMS, em 2012 a participação das grandes nas vendas era de 50% ante 47% das farmácias pequenas, independentes. Cinco anos atrás, os independentes dominavam o mercado, com 55% de participação. No período, a representatividade dos supermercados nestes segmentos permaneceu estável, em 3%.
Além dos grandes grupos nacionais, o Brasil teve a entrada da americana CVS Caremark. Em fevereiro, ela anunciou a compra da brasileira Drogarias Onofre. "Além da consolidação das grandes redes e da inserção de grupos estrangeiros, as próprias independentes iniciaram um processo de expansão", diz em nota o presidente da Abrafarma, Sergio Mena Barreto.
Segundo ele, a alta na renda da população brasileira mudou o perfil do consumidor e estimulou a abertura de novos pontos de venda, favorecendo as marcas com maior representatividade geográfica e fôlego financeiro. Atualmente, estima-se que haja 68,2 mil farmácias em território nacional, das quais 9,5 mil são gerenciadas por grandes redes.
"Estamos acompanhando este movimento, compramos no ano passado quatro farmácias da Senador, estamos expandido para oito cidades", afirma o presidente da Vale Verde, Rubens Augusto. Ao todo, a rede londrinense tem hoje 30 lojas. De acordo com ele, trata-se de um fenômeno de concentração de mercado parecido com o que viveram os supermercados nos anos 1990.
"Nosso segmento tem baixa rentabilidade, então temos de ganhar em volume de venda. A concentração é boa para o cliente porque as redes têm condições de ofertar preços melhores", avalia. Apesar de apostar na concentração, ele diz que as farmácias de bairro não irão morrer. "Nos Estados Unidos e na Europa, existem as grandes redes e as farmácias de vizinhança", conta.
O presidente do Sindicato das Farmácias do Paraná (SindifarmaPR), Edenir Vandona Júnior, acrescenta que o setor tem altos custos. "Somos um setor regulamentado pelos órgãos governamentais. Recentemente, a venda de antibióticos sem receitas foram proibidas. Isso impactou no custo das farmácias e prejudicou principalmente as pequenas", explica.
Outra determinação que impacta nos custos das farmácias, principalmente sobre as pequenas, é a lei 5.991, que obriga a presença de farmacêutico formado nos estabelecimentos. "O Conselho Regional de Farmácia (CRF) vem apertando a fiscalização do cumprimento da lei", afirma. O piso salarial deste profissional, segundo ele, é de R$ 2.040. "Uma farmácia que funciona 24 horas tem de contratar cinco ou seis farmacêuticos", estima.
Segundo o presidente do sindicato, o processo de concentração no setor vem sendo bem agressivo. "Em Curitiba, as grandes redes chegam para os pequenos e propõem a compra do estabelecimento. Se o pequeno não vende, eles vêm e montam uma loja ao lado", declara. (Com Agência Estado)

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