Redes brasileiras se espelham na Zara
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domingo, 25 de março de 2007
Patrícia Cançado<br> Agência Estado 
São Paulo - O fundador da Zara, o espanhol Amancio Ortega, apareceu na lista dos bilionários da revista Forbes entre os dez mais ricos do mundo pela primeira vez neste ano com uma fortuna de US$ 24 bilhões.
Ortega transformou-se num ícone do varejo de moda ao encurtar radicalmente o processo entre a criação e a distribuição, injetando produtos novos nas lojas em tempo recorde. Seu modelo de operação, conhecido como fast fashion, começa a ser adotado por grandes redes como Hering, Renner, Riachuelo e Arezzo.
Em tese, essa rapidez faz os consumidores voltarem às lojas para conferir as novidades, os estoques caírem e o nível de promoções diminuir. O que as brasileiras vêem na fórmula espanhola é uma maneira de lidar com três fatores inevitáveis nesse tipo de varejo: margens apertadas, o ritmo fugaz da moda e a concorrência chinesa.
No Brasil, as importações oficiais de têxteis chinesas alcançaram US$ 607,6 milhões em 2006 - 69% mais que no ano anterior, que já havia registrado recorde. ''Grande parte dessas importações não consegue concorrer com a agilidade e a sintonia com a moda que o fast fashion permite'', escreveu o diretor de relações com investidor da Hering, Fábio Hering, no último balanço da companhia.
O conceito é parte do plano estratégico da Hering para os próximos cinco anos. A ponta mais visível da mudança começou no ano passado, com uma troca mais rápida de coleções. Em vez de três, foram seis coleções. ''Quando a loja renova vitrine mais vezes, atrai mais clientes e dá a impressão de ser mais antenada, com mais valor agregado'', explica o presidente da consultoria Bain & Company, Stefano Bridelli. ''Essa é a moda do momento.''
A Hering já credita à introdução do conceito fast fashion uma parte da melhora dos resultados em 2006 da sua marca, que cresceu 9,4%, número considerado acima da média para o ramo de confecção. A adoção do conceito não é simples.
O modelo exige, além de fornecedores ágeis, uma retaguarda tecnológica poderosa, capaz de registrar quase em tempo real o que vende e o que não vende. Antes disso, é fundamental uma equipe de criação atenta às tendências da moda.
A Zara tem uma equipe de criação de 200 pessoas. Entre eles, estão ''olheiros'' que rodam o mundo vendo vitrines e assistindo aos desfiles de moda. A Arezzo, que desde o ano passado iniciou um processo para encurtar para 20 dias o processo entre a criação e chegada dos sapatos às lojas.


