Rede/Inepar arremata a Cemat
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sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Tasso Marcelo/AE
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Vendido!Opitz, da Bolsa Rio, o governador Oliveira, o leiloeiro Runte e Sampaio, da Eletrobrás batem o marteloPor R$ 391,5 milhões o grupo Rede - Empresas de Energia Elétrica, de São Paulo, em associação com a paranaense Inepar, comprou o controle das Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), em leilão na Bolsa do Rio de Janeiro. O ágio foi de 21,09% sobre o preço mínimo, de R$ 323,3 milhões, e os novos controladores assumirão dívidas da Cemat de cerca de R$ 600 milhões. As ações vendidas representam 86,91% do capital da empresa.
Pela primeira vez em um leilão de empresa de energia, nenhum grupo estrangeiro depositou garantias para entrar na operação. Assim, sobrou espaço para que dois dos três únicos grupos privados que nos anos 70 e 80 atuavam na área de energia se confrontassem: o Rede, do empresário Jorge Queiroz, e o Cataguazes-Leopoldina, do empresário Ivan Botelho, ambos tradicionais capitalistas brasileiros.
O Cataguazes quase levou a Cemat, já que a sua foi a maior proposta em envolepe fechado - R$ 370 milhões. Como a diferença em relação à proposta do grupo Rede, a segunda melhor (R$ 358,8 milhões) foi inferior a 10%, o leilão - pela primeira vez neste sistema de envelope fechado - teve de ser concluído a viva voz. Na disputa lance a lance, a viva voz, o Rede demonstrou todo o tempo estar com mais fôlego, pois aumentava suas ofertas imediatamente após as do oponente. Já o Cataguazes-Leopoldina, embora desse saltos maiores no preço por várias vezes, somente apresentou lance quando o leiloeiro estava prestes a encerrar a operação. Por fim, 53 minutos após ter começado, o leilão terminou com a vitória do grupo Rede, associado ao Inepar, que se propôs a comprar o controle da Cemat por R$ 391,5 milhões, valor R$ 500 mil maior que o último lance do Cataguazes.
O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, afirmou que a combinação de sistemas de envelope fechado e viva-voz no leilão da Cemat, adotada pela primeira vez numa privatização, garantiu um aumento no preço. Segundo Kandir, a adoção da técnica mista para a venda de estatais é uma determinação do Conselho Nacional de Desestatização (CND). Segundo Kandir, as próximas privatizações, especialmente no setor elétrico, adotarão a técnica mista. Na área federal, a próxima privatização, marcada para fevereiro de 1998, será a da Eletrosul.


