Rede usará áreas já impactadas
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
A construção da rede de distribuição de gás natural entre Londrina e Maringá (norte do Estado) não representará grande impacto ao meio ambiente. A garantia foi dada ontem pelo coordenador técnico do Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima), Paulo Procópio Burian, que esta semana percorre várias cidades por onde passará a rede para reuniões públicas de esclarecimentos.
Concluímos que a construção da rede na região norte afetará pouco o meio ambiente porque utilizará áreas já impactadas como as rodovias e avenidas principais. O efeito é muito menor se comparado à instalação de usinas hidrelétricas, explicou.
Técnicos da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), do Instituto Agronômico do Paraná (IAP) e da Companhia de Energia Elétrica (Copel) iniciaram esta semana a fase de reuniões públicas sobre a instalação da rede. A peregrinação por 11 municípios começou na segunda-feira, em Cambé.
O objetivo dos encontros é informar a comunidade sobre essa alternativa energética e solucionar dúvidas. A base dessa explanação é o EIA-Rima, realizado pela Copel, que detém 24,5% das ações da Compagas. O documento traz o diagnóstico ambiental da região (relevo, solos, vegetação e ocupação populacional), estudos alternativos para o traçado da rede, identificação das áreas de impacto, indicação de medidas e programas de proteção ambiental.
A fase seguinte é a de audiências públicas, em que as autoridades municipais terão a oportunidade de expor suas preocupações e apresentar sugestões. A partir daí o IAP libera ou não a licença prévia que autoriza a Compagas a elaborar o projeto oficial. A expectativa é que as audiências estejam concluídas até o final do ano. É a parte mais delicada e difícil do processo. A construção em si é rápida, disse o assessor de planejamento da Compagas, Liberato Álvaro Massuci.
O gás natural que será utilizado na região norte virá, provavelmente, do gasoduto de Pitanga (região central). Com isso, o metro cúbico do produto sairá mais barato que o comercializado, por exemplo, em Curitiba que recebe gás da Bolívia.
Segundo Massuci, a Compagas conta com o apoio dos prefeitos que vêem na chegada do gás natural um incentivo à industrialização e ao desenvolvimento. Mais barato do que o gás natural só a lenha. Por outro lado, ele é menos poluente e mais adequado às exigências de competitividade do mercado global, acrescentou o assessor.
O investimento previsto na construção da rede é de R$ 50 milhões e do gasoduto de Pitanga R$ 40 milhões para um consumo estimado em, no máximo, 300 mil metros cúbicos/dia. Até 2008, a Compagas espera vender 1,9 milhão de metros cúbicos/dia para diminuir sua dependência com o gasoduto Bolívia-Brasil, cujo contrato vai até 2020.
No cronograma de reuniões, ontem foi a vez de Rolândia discutir o assunto. Hoje, serão Apucarana e Maringá. Amanhã, Arapongas, Sarandi e Londrina e no dia 14, Marialva. Para conquistar a adesão ao gás natural, nesses encontros a Compagas apresenta também o Programa de Comunicação Social, o Plano de Emergência e a Proposta de Traçado da Rede.
Em Maringá, a reunião começara às 19h30, no Auditório Hélio Moreira. O presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), Carlos Walter Martins Pedro, está convocando todos os integrantes da entidade. O envolvimento da sociedade organizada é muito importante para a implantação do gasoduto, diz ele. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá)


