A solução apontada por cientistas e técnicos para a sobrevivência das pesquisas no Paraná e em outros estados é a integração dos centros regionais em uma rede nacional. A proposta foi apresentada pelo presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, durante um Encontro de Técnicos e Produtores de Sementes em Foz do Iguaçu. O evento técnico tem como tema ‘‘Biotecnologia e fome’’.
Para os especialistas, somente uma ampliação na base territorial de pesquisa agrícola, aliado ao controle de intercâmbios dos bancos de germoplasma, poderia incrementar o setor. ‘‘Criar uma rede nacional de pesquisa para agronegócios significa integrar as instituições estaduais e não centralizar os projetos em um novo órgão federal’’, ressaltou Dalberto, lembrando que os organismos estaduais continuariam independentes. Sobre o investimento cada vez maior das empresas multinacionais e a redução gradativa de recursos às instituições públicas, o presidente do Iapar disse que a melhor saída continua sendo a ‘‘conciliação’’, mas lembrou também que o Paraná ainda está entre os principais centros nacionais. ‘‘Nosso estado tem ótima capacidade tecnológica e por isso ainda não somos dependentes no setor de pesquisa agrícola. Isso é bom até mesmo para negociar com qualquer multinacional. O conhecimento que temos ainda garante sustentabilidade.’’
O pesquisador, no entanto, admitiu que a instituição que preside passa por dificuldades. ‘‘O Iapar está em crise porque o Estado está crise. Faz 15 anos que não renovamos o pessoal. Precisamos ampliar, reinvestir e criar novos campos, mas dependemos de fatores econômicos nacionais’’, comentou.
O Paraná é o segundo maior produtor de sementes do País, respondendo por 29,9% do mercado nacional (cerca de 420 mil t). Destaque para o trigo, soja, milho e algodão. Em primeiro lugar está o Rio Grande do Sul, com 30,4%. A pequena diferença está na produção gaúcha de arroz (calculada em 93 mil t), cereal que o Paraná não chega a produzir 1% deste total.

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