Preços baixos e melhoria na qualidade dos serviços da telefonia móvel celular devem atrair consumidores antes interessados apenas na aquisição da linha fixa. Embora não tenham ainda dados precisos sobre o tamanho da redução do custo mensal, especialistas e profissionais que atuam nesse setor garantem que o celular se tornará acessível para um número maior de consumidores já no fim deste ano.
A expectativa é de que, nos primeiros meses de operação, a Banda B já provoque redução do valor da taxa de instalação do celular, que hoje é R$ 338,98. Ethevaldo Siqueira, consultor da área de telecomunicações, prevê que, três ou quatro meses depois do início do funcionamento da Banda B, o valor caia para aproximadamente R$ 200,00.
Em dois anos, o valor da taxa deverá estar girando em torno de R$ 100,00, estima. Ele lembra que na maioria dos países o valor da taxa de instalação varia de R$ 20,00 a R$ 50,00. Mas, por aqui, os preços só devem igualar-se aos níveis internacionais quando o processo de privatização estiver concluído e a demanda atendida. De imediato, para atrair mais consumidores, as empresas devem realizar promoções de preço. Em alguns países, o aparelho é fornecido gratuitamente.
Mas a substituição do fixo pelo celular deve ser apenas temporária, até que a oferta da linha fixa se normalize. Luiz Alexandre Garcia, representante do consórcio Algar, formado pelas empresas Lightel, operadora Korea Mobile Telecom e Consultoria Queiroz Galvão, afirma que, mesmo com as promoções, o custo mensal com o celular ainda vai continuar superior ao da telefonia convencional.
Entre as despesas mensais do celular, destacam-se a manutenção do aparelho e a troca de baterias. O usuário do sistema convencional não tem esses gastos. O preço de venda do aparelho também pode influenciar a decisão do consumidor na hora de optar pela compra do telefone fixo ou celular.
No primeiro caso, o aparelho mais barato custa cerca de R$ 40,00; no segundo, o consumidor terá de desembolsar pelo menos R$ 300,00 na compra do equipamento. Na comparação entre os sistemas, a variação de preços é de 650%, diferença suficiente para restringir a parcela da população em condições de se tornar usuária da telefonia celular.
Segundo os profissionais que atuam no mercado, os dois sistemas serão complementares quando a demanda da telefonia fixa e da celular tiver sido atendida. ‘‘São produtos que atendem a necessidades diferentes do consumidor’’, comenta Garcia.
Dezembro pode ser o mês em que, pela primeira vez, o consumidor de São Paulo terá oportunidade de comparar preços e serviços e escolher entre a compra de celular pela Telesp e pela empresa vencedora da licitação da Banda B. Ao longo deste ano, a Telesp pretende habilitar o celular de 330 mil inscritos em 1994. Também no fim deste ano o consumidor de São Paulo deverá ter à sua disposição linha de celular habilitada pela Banda B. Pelo menos é essa a previsão dos representantes dos consórcios que estão participando da licitação para exploração da Banda B da telefonia celular.
Na Telesp, o valor da habilitação é de R$ 338,98. As empresas participantes da licitação da Banda B não revelam preços, mas lembram que é exigência do Governo que o valor da habilitação do novo sistema seja no máximo idêntico ao preço cobrado no momento. Por conta disso, há previsão de que os custos sejam até 30% inferiores aos cobrados pelo sistema atual.

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