Curitiba A Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) promete cobrar judicialmente a América Latina Logística (ALL) se a empresa, que explora a malha ferroviária do Paraná, não pagar as indenizações e não realizar as reconstruções requisitadas pelo órgão. A ameaça foi feita na última reunião de encontro de contas do órgão com a empresa, no final do ano passado.
De acordo com o chefe regional da RFFSA, Paulo Sidnei Ferraz, a ALL cedeu alguns imóveis para terceiros de forma irregular e desfez alguns trechos da malha ferroviária no Estado. ''Estamos negociando essas causas há praticamente um ano, mas não há acordo. A Rede vai partir para cobranças judiciais em todos os casos em que não houver entendimento'', relatou.
A RFFSA aguarda explicações da ALL sobre um convênio firmado em setembro de 2001 com a empresa Amsted Maxion, a maior fabricante de vagões ferroviários do Brasil. Pelo convênio, assinado pelo ex-governador Jaime Lerner (PFL), as empresas moageiras poderiam utilizar créditos tributários do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para adquirir vagões graneleiros que deveriam ser produzidos pela Amsted na sede da ALL em Curitiba.
A produção só começou em setembro do ano passado e apenas 40 vagões saíram da linha de montagem. O alvará de funcionamento venceu em 31 de dezembro de 2002 e por isso o projeto, que tinha intenção de fomentar a moagem e o transporte ferroviário de soja no Paraná, foi suspenso. Segundo a ALL, não houve muitos interessados.
De acordo com Ferraz, a ALL não podia arrendar o terreno para a Amsted sem a autorização da RFFSA, porque o terreno utilizado é de propriedade do órgão federal. Segundo ele, problema semelhante ocorreu com a Estação de Cachoeira, na Região Metropolitana de Curitiba. ''A ALL alugou a estação de madeira para uma loja de materiais de construção, o que não pode ter ocorrido, porque não é uma atividade ligada ao transporte de carga'', relatou.
Segundo Ferraz, a ALL foi notificada. Mas a estação pegou fogo e foi construído um novo galpão de alvenaria no local. ''A estação tinha um valor histórico importante. A gente não queria a indenização em dinheiro, porque não teria muito valor, mas sim a reconstrução do lugar'', explicou. Outro problema teria ocorrido em um pedaço de seis quilômetros que liga a empresa Pisa, em Jaguariaíva, à ferrovia principal. ''Eles desmontaram o trilho e as peças foram roubadas e destruídas. É preciso recompor o patrimônio público'', relatou.
A assessoria de imprensa da ALL informou que a empresa irá reconstruir a estação, mas espera julgamento de ação judicial contra a empresa que está utilizando o local atualmente. A assessoria informou ainda que alugou o imóvel para terceiros e iria fazer o acerto de contas com a RFFSA em uma reunião posterior. A assessoria de imprensa disse também que a empresa não respondeu aos questionamentos da RFFSA sobre o convênio com a Amsted porque o projeto já foi suspenso. Sobre o trilho da empresa Pisa, a empresa não se manifestou.

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