Rede elétrica pode ser uma inimiga
Há dez anos seria difícil imaginar que na virada do milênio estaríamos enfrentando problemas de falta de energia elétrica no Brasil, em função principalmente de sua invejável geografia que conta com uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, com potencial para construção de inúmeras usinas hidroelétricas que poderiam gerar milhões de quilowatts.
Estima-se que sejam necessários entre 150 a 200 bilhões de reais para recuperação do que o Brasil deixou de fazer nos últimos dez anos nas áreas de energia, telefonia, estradas, portos e ferrovias. As privatizações das estatais objetivam também a melhoria das condições de infra-estrutura no País, mas os investimentos nem sempre estão chegando no volume realmente necessário para solução dos nossos problemas prementes.
Os transtornos que a falta de energia causa às telecomunicações e sistemas informatizados afetam atividades definitivamente incorporadas no cotidiano de bancos, lojas, supermercados, hospitais, bolsa de valores e outros. Uma forte oscilação de energia ou um blackout pode colocar em risco dados e prejudicar negócios. Ter o sistema parado por uma ou mais horas significam custos muito elevados.
As variações bruscas que são originadas por chuvas, raios, quedas de árvores e as consequentes quedas de torres de transmissão, curtos circuitos, má distorção da rede elétrica, subdimensionamento de quadros de distribuição de energia ou até mesmo pelo simples acionamento de um elevador ou máquina industrial pode ocasionar alterações na rede elétrica na ordem de 5% a 10%. Além disso, os usuários estão enfrentando também problemas com a qualidade de energia nos horários de maior consumo, pois nesses momentos a rede costuma apresentar ruídos elétricos que podem ocasionar erros de processamento e problemas de leituras de comando. E é bem claro que essas oscilações de voltagem, lentas ou não, podem queimar seu micro, TV, geladeira ou outros aparelhos.
Entretanto, o usuário já encontra à sua disposição uma variedade de produtos fabricados no Brasil e também importados, como estabilizadores, no-breaks e filtro-de-linha que devem ter suas funções e preços conhecidos, para que seja possível a realização de uma análise custo/benefício, dos valores do investimento na aquisição desses dispositivos de segurança, com os prejuízos que um possível acidente com a rede elétrica.
Para evitar problemas de oscilações de voltagem a proteção mais adequada é o estabilizador de voltagem, que tem como função principal a de estabilizar a rede elétrica, evitando que as oscilações possam queimar ou abreviar a vida útil dos aparelhos eletrônicos. Além de estabilizar, eles retiram grande parte dos ruídos presentes na rede elétrica e no caso de equipamentos mais específicos também da linha telefônica. Outro fator que melhora sua filtragem é a utilização do fio-terra, o qual também evita choques elétricos aos usuários, em caso de disfunções na fonte ou equipamento a ele conectado.
O estabilizador é considerado uma solução intermediária de proteção a aquele usuário que não deseja gastar muito para obter uma proteção segura para seu investimento, atendendo uma boa relação custo/benefício. Outro aparelho que ajuda muito na eliminação das interferências da rede elétrica, protegendo os equipamentos contra ruídos e distorções harmônicas, melhorando o funcionamento dos aparelhos, aumentando sua vida útil e evitando o stress dos componentes eletrônicos, é o filtro-de-linha. Ele deve ser utilizado em microcomputadores, terminais de vídeo, fax, aparelhos de som, TV entre outros. É importante lembrar que alguns equipamentos são mais sensíveis as variações da nossa rede elétrica. Esse dispositivo de proteção básica é de menor custo que os demais.
No entanto, a mais completa das sugestões é a utilização dos no-breaks ou UPS (Uninterruptive Power Supply) como é conhecido internacionalmente. Os no-breaks são indicados para proteger e manter ligados um computador ou uma rede de computadores, assim como central telefônica, sistemas de telecomunicações, equipamentos que necessitem do fornecimento de energia durante certos períodos de tempo, quando ocorrem falhas na rede de distribuição elétrica, permitindo que os usuários salvem e fechem os arquivos em utilização.
Para aplicações mais complexas como o monitoramento do funcionamento de redes de micros, existem os no-breaks inteligentes que passam automaticamente em caso de queda de energia, a alimentar os micros e enviar mensagens aos usuários (ocorrência de falhas no fornecimento de energia, o tempo de utilização ainda disponível, etc.), podendo inclusive providenciar o fechamento dos arquivos, desligar o micro e auto desligar-se. No restabelecimento da energia comercial, o aparelho se ligará automaticamente e retornará a situação de trabalho em que foi interrompido.
Existem dois tipos básicos de no-breaks: on line e off line . Ambos mantêm o equipamento em funcionamento sem interrupção. A diferença está na forma como a energia chega ao micro. No caso do on line, as baterias ficam carregadas em regime de flutuação, ou seja, a energia necessariamente passa pela bateria para entrar no micro. Neste caso o tempo de transferência ou tempo de comutação é igual a zero. O no-break assume a energia elétrica imediatamente na hora da queda. Eles são recomendados para aplicações mais críticas, como servidores de rede, sistemas de telecomunicações, equipamentos hospitalares e outros.
Já os off line também conhecidos como short-break, possuem uma tecnologia utilizada mundialmente, e surgiu com objetivo de diminuir os custos de produção. Esse produto é destinado ao mercado SOHO (Small Offices, Home Offices). A diferença é que as baterias (dos short breaks mais avançados) levam em média 2 milesegundos para assumir controle da energia, sem contudo o usuário perder a sua base de dados, pois o micro passa a interpretar como falta de energia após 9 milesegundos
Segundo um levantamento feito com diversos fabricantes, de cada 10 servidores vendidos, três utilizam no-breaks, sendo que nos Estados Unidos de cada 10, nove usam o equipamento. O aumento da escala de produção e a queda dos custos dos componentes, são fatores que legitima reduções significantes nos custos dos no-breaks. A tendência é que nos próximos dois ou três anos, o mercado dobre o seu crescimento e se consolide com apenas algumas marcas.
Antes de adquirir um no-break, você deve certificar-se de estar comprando o produto que atenda a sua necessidade, seja para uso próprio ou corporativo, portanto tenha alguns cuidados:
1. Dimensione a potência do no-break de acordo com a somatória das potências em VA dos equipamentos que serão a ele conectados, acrescido de 20%. As informações constam nos respectivos manuais.
2. Verifique o tipo de tecnologia (on line e off line).
3. Tempo que ele leva para salvar as informações antes de desligar o equipamento. A autonomia das baterias é fator de suma importância na hora da compra. Baterias externas fornece um tempo maior.
4. Um bom modelo de no-break é aquele que já incorpora estabilizador de voltagem, filtro-de-linha e proteção contra surtos de tensão e curto circuitos.
Para grandes empresas, os no-breaks inteligentes são uma boa opção. Eles oferecem sistemas que encerram o arquivo automaticamente antes do fim da bateria. Já para usuários domésticos e pequenos escritórios, esses recursos não são necessários, implicando na aquisição de equipamento de menor custo. A dica final, talvez a de maior importância, é a da certificação da credibilidade das empresas que estão comercializando o produto, verificando termos de garantia, assistência técnica, suporte, manual em português e tradição da marca adquirida. Dê preferência as que tenham fabricação ou acordo com indústrias nacionais.
JAMIL MOUALLEM é diretor de uma empresa produtora de no-break, estabilizador e filtro-de-linha





