Rede de farmácias segue cartilha à risca
A rede de farmácias londrinense Vale Verde tem 39 anos, grande parte sob o comando do empresário Rubens Augusto e da mulher, Mirian. O casal fez com que o grupo chegasse a 30 lojas, mas Rubens sentiu a necessidade de adotar a governança corporativa para suprir deficiências e crescer mais. Foi quando a filha mais velha, Ana Carolina, que se preparava desde a escolha do curso superior, em farmácia industrial, e da pós-graduação em gestão empresarial, entrou no grupo.
Ana Carolina conta que trabalhou por três anos em uma indústria farmacêutica paulista antes de entrar na empresa do pai. Rubens afirma que percebeu que o setor de compras precisava se reorganizar e chamou a filha, que entrou ainda como analista. Rapidamente, ela cresceu no cargo, chegou a gerente do setor e, depois, assumiu o departamento de marketing. "Não tinha expectativa de que meus filhos quisessem trabalhar comigo até uns sete anos atrás", diz o fundador do grupo. "Aconteceu naturalmente e ela começou a ganhar liderança dentro da empresa", completa.
Com o interesse de Ana Carolina, ele contratou uma consultoria para organizar o processo de sucessão, que já dura quatro anos. Em busca do desenvolvimento de uma governança corporativa, começou o processo de criação do conselho de administração, do qual é presidente. O grupo gestor tem funcionários mais antigos, o casal, os filhos e um conselheiro executivo de Porto Alegre (RS).
Ela conta que quebrou eventuais resistências internas ao começar por baixo. "Entrei em um cargo operacional e procurei aprender, ser humilde o bastante para perguntar a quem estava lá na época", diz Ana Carolina. Mesmo assim, reconhece que houve certa desconfiança quando assumiu a gerência de compras, problema que desapareceu à medida que os resultados surgiram. "Sempre fui de por a mão na massa, sem frescura, então a confiança em mim apareceu."
Hoje diretora executiva, ela afirma que as mudanças na empresa foram benéficas tanto em resultados quanto para os funcionários. "Meus pais tinham o perfil mais empreendedor, de arregaçar as mangas e fazer, em um esquema mais centralizador", lembra.
Ao profissionalizar os departamentos, sentiu que os gerentes gostaram de ganhar o benefício da autonomia ao mesmo tempo em que ficaram com a responsabilidade de atingir resultados. "Todos ganham credibilidade e respeito."
No processo, o irmão de Ana, Rafael, assumiu o posto de braço-direito dela na Vale Verde, também depois de passar por outras empresas. A filha mais nova, Mariana, cursa relações internacionais e também deve seguir o mesmo caminho. "Ela vai trabalhar uns três anos em outro lugar antes, para ver se a vocação dela é mesmo ficar na nossa empresa", diz Rubens. (F.G.)





