Curitiba - As homologações das rescisões dos 600 funcionários demitidos pela rede de farmácias Drogamed devem começar na próxima segunda-feira mas sem nenhum pagamento das verbas rescisórias. O anúncio foi feito ontem em uma reunião entre representantes do Sindicato dos Farmacêuticos (Sindifar), Sindicato dos Trabalhadores no Comércio, a Drogamed e o administrador judicial da empresa, Joaquim Rauli.
A assessora jurídica do Sindifar, Andréa Trevisan, disse que a rede comunicou que, por enquanto, não serão pagos os salários de abril, a multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e todos os outros valores que envolvem a rescisão. De acordo com ela, as homologações serão feitas para que os trabalhadores possam entrar com pedido de seguro-desemprego e liberar a carteira de trabalho e o FGTS. Outro problema que os funcionários vão enfrentar é a falta de depósito do FGTS. Desde julho, a empresa não cumpre esta obrigação trabalhista.
Segundo ela, a rede não tem imóveis próprios e as lojas são locadas. O advogado da Drogamed, Arno Jung, disse que o primeiro passo será levantar os ativos da empresa como estoques e imóveis. O pagamento das dívidas - que totalizam R$ 60 milhões - deve começar pelos débitos trabalhistas, seguido dos tributários, bancários, imobiliários e com distribuidoras de medicamentos. O valor dos ativos será apurado através de avaliação judicial.
A arrecadação dos medicamentos e mercadorias que estão nas lojas será determinada pela Justiça e pelo administrador judicial. Segundo ele, ainda não há data para a retirada dos produtos das lojas.
Jung disse que antes de ser decretada a falência na última sexta-feira, havia três grupos de fora do Paraná interessados na compra da rede. O Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) informou que os farmacêuticos da rede já estão sendo chamados para conferir os estoques.
A rede tinha 76 lojas no Paraná e foi criada em 1979. Em 1997, houve a união das bandeiras Minerva e Drogamed sob o comando do empresário Carlos Bueno, hoje proprietário da Callfarma. Em 2000, a marca passou para o grupo chileno Farmacias Ahumada S/A (Fasa).

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