A crise financeira internacional atingiu em cheio a agricultura brasileira e os R$ 10 bilhões prometidos pelo governo para financiar a safra agrícola dificilmente serão liberados na íntegra, na avaliação de técnicos e especialistas ligados ao setor. Entre as fontes de recursos previstas, existem estimativas de redução de até R$ 1 bilhão nos financiamentos com recursos externos provenientes da ‘‘63 caipira’’ e a queda de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões previstos de recursos livres, ou seja, com taxas de mercado.
‘‘Nem o banco quer emprestar com taxa de 50% nem o produtor quer esse dinheiro’’ avalia um técnico da área econômica. A procura por recursos controlados pelo governo explodiu, segundo o técnico, ampliando as tradicionais reclamações de demora na liberação do dinheiro da safra.
Os financiamentos com recursos controlados têm taxas de 8,75% ao ano para médios e grandes produtores e de 5,75% ao ano para os pequenos agricultores.
Segundo fonte do Banco Central, as alternativas de financiamento agrícola também minguaram. As indústrias de insumos, que faziam financiamentos próprios aos agricultores, não estão emprestando mais. O governo estuda medidas de emergência para garantir o custeio da safra, pois existe a época certa de plantio de cada cultura em cada região.
Ampliação de exigibilidades O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, disse que uma das idéias em estudo é a ampliação de 25% para 30% das exigibilidades bancárias, ou seja, da parcela dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura. Fontes do Banco Central explicaram, no entanto, que para isto ocorrer é preciso que as autoridades monetárias concordem com a redução dos depósitos compulsórios de 75% para 70%.
Todos concordam que, sem medidas complementares, a perspectiva de produção da safra de grãos é a pior possível, podendo nem mesmo atingir os níveis de 78 milhões de toneladas da safra passada. ‘‘Com a crise internacional ninguém está emprestando nada’’, disse o diretor do Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães.
Na semana passada, dirigentes do Ministério reuniram-se com representantes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para tentar detectar o que está ocorrendo, já que são muitas as reclamações dos agricultores.
Segundo Guimarães, os bancos alegam que os depósitos à vista estão caindo e, por isso, a estimativa de utilização de R$ 3 bilhões das exigibilidades também está comprometida. Outra idéia em estudo que deverá ser aprovada no dia 28 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é a possibilidade de os bancos extrapolarem os limites das exigibilidades e fazerem o ajuste dos recursos no semestre subsequente.

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