Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, informou ontem ao presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que R$ 153 milhões já estão disponíveis nas superintendências do Banco do Brasil para a contratação de Empréstimos do Governo Federal (EGFs) para a estocagem de leite. Os recursos fazem parte de um total de R$ 200 milhões reservados ao setor por este mecanismo. ''Parece que há uma sinalização do Banco do Brasil de ampliar de R$ 200 milhões para R$ 300 milhões, porque a demanda está muito forte'', acrescentou Freitas.
A reunião com o ministro, da qual participou também o presidente da comissão de pecuária de leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, serviu para manter o governo informado sobre a situação do setor de laticínios. ''A idéia é, dentro da Câmara Setorial do Leite, é manter o ministro informado sobre as posições para que as decisões eventuais que tenham de ser tomadas sejam bem embasadas'', definiu Freitas.
A crise da Parmalat representa uma preocupação maior para o setor de laticínios por causa do momento em que ocorreu, durante a fase de maior produção de leite, disse o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas. ''Provavelmente se tivéssemos este problema daqui a dois ou três meses seria muito menos visível'', comentou.
Freitas afirmou que o setor torce pela recuperação da Parmalat, mas lembrou que isso depende de desdobramentos da crise no exterior. O dirigente observou que as cooperativas trabalham pela reestruturação do setor desde 2002. Há 353 cooperativas que atuam com leite no Brasil e elas querem reconquistar a parcela de mercado perdido para outras empresas. As cooperativas já representaram 60% do mercado de lácteos e atualmente respondem por cerca de 40%, comparou Freitas. ''O problema da Parmalat aconteceu durante este processo que já está sendo desenhado'', afirmou.
As cooperativas de leite se reuniram ontem em Brasília, na sede da OCB. Márcio Freitas fez a abertura do encontro, antes de participar da audiência com o ministro Roberto Rodrigues. Um dos pontos discutidos foi a definição de um indicador setorial, que pesquisará o preço de insumos, do leite na fazenda, do produto cru e dos principais derivados no varejo, informou o vice-presidente da Itambé e coordenador da Câmara de Leite da OCB, Jacques Gontijo.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP) deverá fazer o cálculo do indicador. Gontijo previu que a coleta de informações será feita em fevereiro - em seis ou sete Estados, faltando definir a presença de Santa Catarina - e em março deve ocorrer a primeira divulgação.

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