Recursos para combater trabalho infantil
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domingo, 08 de junho de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Os Estados Unidos poderão oferecer recursos governamentais para combater o trabalho infantil no Brasil. A informação é do ministro do Trabalho, Jaques Wagner, que chegou ontem a Genebra para uma reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo Wagner, se as negociações entre Brasília e Washington avançarem sobre o tema, nos próximos dias, existe a possibilidade de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncie algum tipo de parceira com a Casa Branca, quando estiver na capital dos EUA, no dia 20, para visitar o presidente George W. Bush.
A Casa Branca, de acordo com o ministro, teria dado indicações ao governo brasileiro de que estaria disposta a dar recursos a fundo perdido para melhorar a situação do trabalho no País. Na quarta-feira, em Genebra, os responsáveis pela pasta do Trabalho dos governos do Brasil e dos Estados Unidos iniciarão uma negociação para acertar de que forma Casa Branca participará dos programas do governo brasileiro.
Se, de fato, os dois governos conseguirem um acordo para o estabelecimento de uma parceria contra o trabalho infantil no Brasil, será a primeira vez que o tema deixará de ser uma dificuldade na relação bilateral para se tornar um elemento de cooperação. Durante a presidência de Bill Clinton, a Casa Branca insistia em incluir cláusulas trabalhistas em acordos comerciais, criando barreiras aos produtos de países onde fossem verificados casos de trabalho infantil.
O ministro disse que aproveitará a reunião de quarta-feira com a Secretária do Trabalho dos Estados Unidos, Elaine Chao, para propor que Washington também avalie uma contribuição ao programa Primeiro Emprego.
Segundo Wagner, as contribuições dos Estados Unidos poderiam ser feitas em financiamento ou simplesmente convencendo as inúmeras empresas americanas instaladas no Brasil a entrarem no programa para dar empregos aos jovens brasileiros.
Juros O ministro do Trabalho disse também que o debate sobre a taxa de juros criou uma ''falsa polêmica'' no Brasil. ''Taxa de juros, sem dúvida, pesa no desenvolvimento, e vamos continuar perseguindo sua queda, mas temos de lembrar que, na Europa e no Japão, onde taxas de juros são baixas, o crescimento também está estagnado'', afirmou Wagner.


