Recursos para Banestado podem atrasar
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Carmem Murara enviada à Assunção 
A crise financeira que atingiu as bolsas de valores de todo o mundo, e que fez com o governo federal baixasse um pacote econômico para conter gastos públicos, poderá fazer com que parte da equipe econômica defenda mudanças na liberação de recursos para os estados que aderiram ao programa de saneamento dos bancos estaduais. Isso poderia representar um atraso na liberação dos R$ 4,1 bilhões que servirão para sanear o Banestado.
A possibilidade de ocorrerem mudanças foi levantada ontem pelo diretor de Reeestruturação e Privatização do Banestado, Fausto Lacerda, que esteve em Assunção para acompanhar a inauguração da nova sede do Banco Del Paraná, braço do Banestado no Paraguai (leia ao lado). Lacerda aposta que a oposição ao governo federal questionará o fato de o Banco Central liberar dinheiro para bancos estaduais, enquanto corta verbas de setores como saúde e ducação. Lacerda disse que, apesar dessa possibilidade, os contratos relativos ao Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro Estadual (Proer) já foram assinados com o Paraná e, por isso, será difícil, mas não impossível, a alteração. O contrato está assinado e eles têm de cumprir. É irreversível o processo de reestruturação dos bancos estaduais, porque senão, o sistema financeiro entra em colapso, afirmou.
O pacote baixado pelo governo federal prevê um corte de R$ 4 bilhões nos gastos públicos. O dinheiro será retirado dos ministérios, que terão de passar por um período de contenção de despesas. A ordem é economizar. Além do enxugamento nos gastos, o governo federal determinou o aumento da taxa de juros, que, a curtíssimo prazo, também afeta a contabilidade do Banestado. Os efeitos já começaram a ser sentidos, disse o diretor de Reestruturação do Banestado.
Há cerca de três semanas, o secretário da Fazenda Giovani Gionédis afirmou que o Banestado precisa recorrer ao sistema interbancário, onde capta R$ 700 milhões para fechar suas contas diárias. Com os juros mais altos, na faixa de 49%, sobe também o custo do dinheiro que o Banestado toma. O aumento dos juros provoca um buraco maior. Contávamos com o ingresso de recursos do Banco Central em setembro. Agora, em novembro, o dinheiro vem com alteração na taxa de juros, afirmou Lacerda. Segundo ele, quanto mais o BC demorar para liberar os recursos para o saneamento do Banestado, mais aumentará o custo da captação do dinheiro para o banco. Ele acredita que, somente após as eleições, o Senado votará a liberação do financiamento.


