Recursos captados por produtores caem 5,75%
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

O cenário econômico turbulento e as mudanças no formato de captação do crédito rural fizeram com que os médios e grandes produtores buscassem menos recursos pelo Plano Agrícola e Pecuário (PAP), que disponibilizou nesta safra R$ 183,8 bilhões para todo o País. De acordo com o Ministério da Agricultura (Mapa), foram liberados R$ 72 bilhões entre julho e dezembro de 2016, uma queda de 5,75% em comparação aos R$ 76 bilhões do mesmo período da safra anterior. A maior parte do montante (29,7%) foi para o custeio da soja.
No que se refere ao número de contratações, a queda é mais significativa: de 385,6 mil contratos para 333,3 mil, retração de 13,5%. No custeio total, a diminuição foi de 14,6%; na comercialização, 5,9%, e na fatia de custeio por juros controlados (em que o produtor consegue as melhores taxas) a queda foi de 25,3%. A região Sul lidera todas as modalidades, com o Paraná com uma fatia percentual próxima a 18%, quando baseado em anos anteriores.
Os juros controlados em bancos públicos para custeio, nos quais o produtor sempre teve melhor acesso e considerava uma boa opção para captar recursos, tiveram queda drástica de 36%, de R$ 31,4 bilhões para R$ 21,9 bilhões. Até nos bancos privados houve queda: 14%. "Tivemos uma mudança nos limites de crédito, que antes eram acima de R$ 3 milhões por produtor e agora diminuíram para até R$ 3 milhões, sendo dividida no primeiro período com a captação de 60% e, no segundo, 40%. O fato é que antes tínhamos uma situação de maiores volumes e sem esse tipo de limitação", explica a economista do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Tânia Moreira.
Os números piores, basicamente, são justificados portanto devido um aumento da taxa de juros e a uma menor oferta de crédito nas linhas que, de fato, são interessantes para o produtor. Isso pode ser comprovado pelo aumento de captação por meio do custeio a juros livres, ou seja, com taxas de mercado e cujos produtores não conseguem o dinheiro "mais barato" como no caso do controlado. O salto neste caso foi de R$ 5,2 bilhões para R$ 9,4 bilhões, uma elevação de 79,7%. "Isso não é bom para o agronegócio e mostra que faltou acesso ao crédito nas instituições financeiras públicas", complementa a economista.

Máquinas e implementos
Por fim, vale dizer que a única linha que ganhou pequeno fôlego foi de investimento, com salto de R$ 12,7 bilhões para R$ 13 bilhões, uma alta de 2,3%. As aquisições de máquinas e de implementos agrícolas continuam liderando os financiamentos, totalizando R$ 4,2 bilhões, com incremento de 57% e absorvendo mais de 80% das disponibilidades de recursos inicialmente programados. "Essa procura maior e a expectativa dos bancos quanto à crescente demanda no segmento tornaram necessário liberar mais R$ 2,5 bilhões para o Moderfrota", observa o diretor de Crédito e Estudos Econômicos do Mapa, Antônio Luiz Machado de Moraes. Outras linhas de investimentos que tiveram desempenho positivo foram o Moderagro (R$ 266 milhões), Procap-Agro (R$ 1,2 bilhão) e Pronamp (R$ 1,4 bilhão).


