Brasília - Sinais de uma ''robusta'' recuperação no nível de atividade fizeram com que o Banco Central colocasse um freio no processo de queda dos juros. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) se reuniu e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, depois de efetuar cinco cortes seguidos de 0,5 ponto em 2006.
Ontem, o BC divulgou a ata da reunião, com os motivos da maior cautela. Com base em indicadores como as maiores vendas no varejo e o aumento nas compras de máquinas e equipamentos, o texto diz que tanto o consumo interno quanto os investimentos das empresas têm apresentado crescimento ''robusto'' nos últimos meses.
Nesse cenário, o aumento da inflação ocorrido recentemente _que inicialmente era visto como algo temporário, reflexo do reajuste nos preços dos alimentos_ poderia se propagar por mais tempo do que o desejado. Ou seja, para o BC a economia já dá sinais de forte recuperação, sendo possível reduzir os juros de forma mais lenta sem que haja maiores prejuízos ao nível de atividade.
Embora só tenha sido divulgado ontem, o documento contém a avaliação da situação da economia feita pelo BC na quarta-feira da semana passada, dois dias depois de o governo anunciar as medidas do PAC, pacote que tem como objetivo, justamente, estimular a retomada do crescimento econômico.
A ata do Copom não faz referência direta ao PAC, com exceção da menção à uma de suas medidas: a possível redução da meta de superávit primário deste ano, quando a economia para o pagamento de juros pode passar do equivalente a 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para 3,75% devido a maiores investimentos no chamado PPI (Projeto Piloto de Investimentos).
O PPI é formado por projetos de investimentos que podem, no futuro, gerar ganhos para o setor público _construção de linhas de metrô e modernização de portos, por exemplo. Por isso, essas despesas são excluídas das metas fiscais do governo.
Segundo a ata do Copom, as ''incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária'' justificam um maior cuidado na redução dos juros. Em outras palavras, o BC diz que não sabe como a economia vai reagir à queda já ocorrida na Selic, e receia que uma redução maior na taxa agora possa abrir espaço para uma alta inesperada da inflação.

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