Recuperação econômica no Brasil pode demorar
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segunda-feira, 15 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De São Paulo 
A recuperação da economia pode ser mais lenta do que em crises anteriores. A avaliação é do ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-diretor da MCM Consultores José Júlio Senna. Segundo ele, uma das principais diferenças entre a crise econômica atual no Brasil e crises anteriores - asiática (1997) e russa (1998) - é o forte desaquecimento econômico mundial.
''Em crises anteriores, o governo definiu estratégias, obteve recursos internacionais e conseguiu sair das dificuldades. Hoje, uma recuperação econômica depende de muitas variáveis externas, principalmente da economia dos Estados Unidos, o que pode provocar uma demora maior'', avalia Senna.
O reaquecimento da economia norte-americana, segundo Senna, depende de uma retomada da confiança dos consumidores e dos empresários do país. ''Isso não deve acontecer antes do segundo semestre do próximo ano. Principalmente porque empresários investiram muito e o lucro esperado não se confirmou. Esta retomada da confiança não será tão fácil. Ainda mais agora com a guerra na Ásia Central.''
Também a situação argentina - outra variável externa - é um fator novo na atual crise brasileira. ''As fortes relações comerciais entre os dois países fazem com que uma piora das condições no país vizinho tenha impacto na economia brasileira, embora os dois países tenham fundamentos completamente diferentes, assim como suas políticas cambiais'', afirma o economista do Lloyds TSB, Wilson Ramião.
Em relação ao cenário interno, o diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, lembra que os juros altos são outro fator que dificulta a retomada do crescimento econômico. ''Com o dólar pressionado, a tendência é de que as taxas continuem em níveis elevados. Levando-se em conta que um recuo das cotações da moeda norte-americana depende de uma melhora do cenário externo, a queda dos juros pode demorar'', avalia.


