Não vai ser fácil conquistar o mercado externo, apesar de o câmbio estar favorável, na análise de José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e da Procex, especializada em comércio exterior. Há vários obstáculos a serem enfrentados pelos exportadores neste ano, segundo Castro. ‘‘A desvalorização do real equivale ao teto bonito de uma casa. Mas, sem financiamento, que equivale ao alicerce, ela cai’’. O que ele quer dizer é que há escassez de financiamento à exportação. ‘‘Os bancos captam recursos lá fora e fazem empréstimos no país a juros similares aos do mercado internacional. Só que não estão conseguindo obter esse dinheiro porque o risco-Brasil assusta’’.
Essa falta de recursos, na sua opinião, vai afetar as exportações. Não adianta ter ótimo preço, diz, se não tem dinheiro para produzir. ‘‘Nem todas as empresas têm matrizes dispostas a mandar dinheiro para o Brasil’’.
Outro empecilho a considerar, segundo Castro, é o fato de o próprio mercado internacional estar retraído. O FMI (Fundo Monetário Internacional), diz, considerava que o crescimento mundial das exportações seria de 2,5% em 99. Esse número foi revisto. Agora, o Fundo projeta uma queda de 1,5%. ‘‘Lá fora, hoje, tem muito mais vendedor do que comprador.’’ O protecionismo dos países desenvolvidos também vai perturbar os exportadores brasileiros. ‘‘Há uma nítida tendência de os países desenvolvidos colocarem mais barreiras alfandegárias.’’ Outro obstáculo: o tamanho da desvalorização do real. Para o diretor da AEB, uma desvalorização tão acentuada do real desperta nos importadores uma pressão por descontos. ‘‘Uma taxa de câmbio civilizada é a de US$ 1,50 a US$ 1,60. A selvagem é a de agora’’.
O exportador que importa matérias-primas para fabricar o seu produto, diz, acaba pagando a taxa efetiva do dólar, mas, na hora de vender seu produto, tem de dar desconto. ‘‘Se fizer isso, pode não ganhar nada com o câmbio. E mais, a taxa de câmbio vai gerar inflação, que acaba anulando ganhos gerados com a desvalorização’’.
Castro lembra que o exportador tem de enfrentar os contratos de longo prazo fechados com países concorrentes. ‘‘Os EUA podem achar um produto brasileiro barato, mas têm de esperar terminar contrato com um fornecedor -por exemplo, um coreano - para trocar por um brasileiro’’.

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