Recuperação dos preços anima pecuaristas
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A chuva e o calor das últimas duas semanas contribuíram para a recuperação das pastagens. Como consequência, o pecuarista tem conseguido manter o gado engordando no pasto por mais tempo, diminuindo a oferta de animais no mercado. Este fato refletiu diretamente no preço pago ao produtor.
Durante o ano todo, a arroba do boi gordo não superou R$ 48. Já na última semana, chegou a ser comercializada a R$ 52. ''Seguindo a lei da oferta e demanda, o preço aumentou pelo menos 10% nos últimos dias'', afirmou o agropecuarista Alexandre Turquino, de Londrina. Segundo ele, os frigoríficos possuem uma margem enorme de lucro e por isso esse aumento não deverá chegar aos consumidores.
Em visita à Folha, na manhã de ontem, Alexandre e seu pai João Moacir Turquino, também agropecuarista, anunciaram o início de um novo ciclo de alta na pecuária nacional. ''É um momento de transição, que traz otimismo para quem ainda está na atividade'', declarou João.
Os produtores acreditam que a tendência é de um aumento de preços ainda maior até o final do mês. ''Mesmo assim, o que recebemos ainda não paga os custos de produção'', analisou João. Ele calcula que o valor ideal da arroba deveria ser de, no mínimo, R$ 60.
Com o advento da soja, há alguns anos, assinalou Alexandre, muitos pecuaristas venderam o rebanho para investir na cultura. ''Na época houve um aumento significativo na oferta de gado, que culminou na derrocada dos preços'', disse. Para ele, o mercado ainda está se ajustando. ''Essa é a primeira grande reação dos últimos anos'', completou.
De acordo com o agropecuarista, quando o Brasil começou a exportar carne, poucos frigoríficos atuavam de acordo com as normas de inspeção federal e por isso controlavam o mercado. ''A tendência é essa situação mudar com a entrada de novas empresas no mercado'', analisou.
Para João Turquino, os frigoríficos ainda comprometem a arrecadação dos pecuaristas. ''O ideal é que o produtor elimine atravessadores, abatendo seus próprios animais. Mas a construção de um frigorífico só é viável se os produtores se associarem, pois os custos são muito elevados'', apontou.
Alexandre também defendeu a formação de alianças mercadológicas como uma alternativa para a comercialização da carne. ''A venda escalonada também pode ser uma opção para os pecuaristas aproveitarem a alta dos preços'', concluiu.
Serviço
- A família Turquino realiza hoje, durante a Eurozebu, o XI Leilão 10 Marcas, que irá ofertar 1,3 mil animais das raças Nelore, Red Angus, Simental, entre outras. O evento começa às 19h30, no Recinto José Garcia Molina, no Parque de Exposições Ney Braga.


