Segundo o especialista em crimes digitais da E-Net Security, Wanderson Castilho, este tipo de ação é algo já há muito conhecido pelo meio da segurança da informação, em que o cracker segue o mesmo padrão de comportamento: ele atua enviando um vírus ao computador alheio, criptografa (ou compacta) arquivos da vítima e pede uma quantia em dinheiro em troca da senha para descriptografar estes dados. "A pessoa fica refém", salienta.
Mas pagar o resgate ao criminoso não é garantia de que a vítima terá seus dados de volta. Castilho conta que já cuidou de um caso de cliente que efetuou o pagamento, mas não recebeu a senha para descriptografar seus arquivos. Uma solução que poucos conhecem, neste caso, é a recuperação de documentos, diz o especialista. Segundo ele, quando criptografa os dados da vítima, o cracker cria uma cópia compactada do arquivo e deleta o original. Por isso, um serviço de recuperação de documentos, realizado por empresas e recuperação de dados e de segurança da informação, poderia trazer de volta o documento original, e funciona em 97% dos casos, afirma Castilho.
Localizar o criminoso, por outro lado, pode não ser muito fácil. Conforme o especialista, estes crackers geralmente se utilizam de recursos para não serem localizados, como um navegador que protege a identidade do usuário. Castilho, que também é advogado, opina que enquadrar o crime na legislação atual também não é tão simples. Afinal, nestes casos, o cracker não chegou a capturar para si os dados alheios. Apenas os criptografou, e os manteve no próprio computador da vítima.
O especialista comentou que a possibilidade de dois casos parecidos ocorrerem na mesma região, como aconteceu com os dois casos relatados na matéria, é muito pequena, e que há a possibilidade de a pessoa que cometeu o crime ser até mesmo conhecedora das atividades econômicas das cidades.
Para evitar situações como estas, é preciso analisar os cuidados a serem tomados caso a caso, mas recomendações básicas como manter os softwares atualizados, inclusive o antivírus, podem contribuir para minimizar os riscos, finaliza Castilho.(M.F.C.)

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