Recuperação de emprego sustentará crescimento
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Ana Paula Ribeiro<br>Folhapress 
Brasília - A recuperação do nível de emprego e da renda do trabalhador são importantes para que o processo de crescimento da economia tenha sustentação, avalia o Banco Central (BC), segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 16,25% para 16,75% ao ano.
''A recuperação progressiva do emprego e da renda deverá desempenhar papel cada vez mais importante na sustentação do processo de crescimento em termos agregados, e deverá contribuir também para tornar a expansão cada vez mais balanceada entre os diversos setores da economia'', relata o documento, divulgado ontem.
Em agosto, a taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 11,4%, ante 13% no mesmo mês de 2003. O BC admite que espera um pequeno recuo no ritmo de crescimento da produção industrial, de acordo com indicadores antecedentes que foram divulgados às vésperas da reunião, e lembra que o crescimento do setor em agosto ficou acima do esperado - 1,1%, segundo o IBGE.
''A volatilidade característica dessas séries não permite interpretar um resultado mensal surpreendente positivo como evidência definitiva de aceleração da trajetória de crescimento da produção industrial, e tampouco tomar qualquer acomodação verificada na margem como sinal inequívoco de perda de ímpeto da expansão.''
A expansão dos últimos meses, ''a partir do patamar historicamente elevado'', reforça a preocupação do BC com a velocidade da ampliada da capacidade produtiva, ''de modo a acomodar a demanda crescente sem ameaçar a convergência futura da inflação para a trajetória de metas''.
O uso da capacidade instalada, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), chegou a 83,3% em agosto, recorde histórico. ''A partir dos níveis de produção já atingidos, a política monetária precisa permanecer vigilante em relação ao ritmo de expansão adicional da demanda.''
O BC vê, no entanto, ''sinais encorajadores'' no ritmo da retomada de investimentos, lembrando que a absorção doméstica de bens de capital cresceu 15,7% entre janeiro e agosto deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.


