São Paulo - Apesar dos barulhos na cena política que afetaram o mercado financeiro em alguns momentos, a economia real mostrou claros sinais de recuperação no primeiro trimestre deste ano. Enquanto o governo corria para contornar a crise debelada em fevereiro pelas revelações do caso Waldomiro Diniz, ex-chefe de assuntos parlamentares da Casa Civil, a indústria eletroeletrônica trabalhava de vento em popa. O segmento apresentou um crescimento de 27% em seu faturamento nos primeiros três meses de 2004 em comparação com o mesmo período de 2003. E mais: o setor contratou 2,4 mil funcionários no período, totalizando 124,9 mil empregados no mês de março.
Desde setembro do ano passado, a Avaliação Conjuntural do setor eletroletrônico, preparada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), registra um crescimento no número de vagas nas empresas do setor. ''A recuperação da economia já começou'', diz o diretor do Departamento de Economia da entidade, Antonio Corrêa de Lacerda. Segundo ele, a demanda interna e externa mostraram reação. Associada à queda de juros e à melhora de renda per capita, Lacerda explica que apesar dos ruídos, a economia real caminhou bem. ''O quadro está cada vez mais sólido, calcado em investimentos'', diz.
O economista lembra ainda que o aumento no número de empregos da indústria tem efeito multiplicador. ''A cada um emprego direto, há três indiretos'', estima. Lacerda lembra que o setor eletroeletrônico trabalha muito com empresas satélites, que fazem a terceirização de algumas áreas, ou ''outsourcing''. Daí, esses empregos não são captados pelas pesquisas da Abinee.
O desempenho do setor no período faz a entidade projetar uma ocupação da capacidade produtiva de 80% até o final de junho, ante os 73% registrados em março, e ainda uma revisão das estimativas de crescimento nominal para o ano. No final de 2003 a Abinee previa um crescimento de 11% e agora a expectativa é de 14%.
Outra percepção otimista da Abinee é em relação às exportações. Embora as vendas de telefones celulares para o mercado externo tenham registrado queda de 33%, os demais setores tiveram alta de 20% nas exportações.
As vendas externas do setor sempre estiveram apoiadas em alguns produtos e, neste primeiro trimestre, a entidade começou a registrar uma disseminação das exportações entre as suas associadas. Motocompressores, cinescópios, componentes eletrônicos e itens de eletrônica embarcada apresentaram crescimento das exportações.
A ampliação das vendas para outros países, fora os Estados Unidos, também foi considerada uma boa notícia pela entidade. As indústrias eletroeletrônicas ampliaram em 33% as vendas para a União Européia, 191% para a Argentina, e em 36% para outros países do mundo. As vendas para o mercado norte-americano caíram 29% no primeiro trimestre. Os Estados Unidos, porém, ainda são o principal destino dos produtos brasileiros.

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