Recuperação ainda é lenta em Londrina
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sexta-feira, 28 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Em Londrina, não há consenso sobre a possível recuperação do consumo identificada pelas indústrias. Enquanto algumas redes de supermercado registraram crescimento nas vendas, consumidores ouvidos pela Folha garantem que estão comprando menos.
O gerente do Fatão, Ademir Cirino, está satisfeito com o desempenho do mês de maio. ''As vendas de produtos da cesta básica cresceram 10%'', disse. Ele atribui o aumento à recuperação da renda de algumas parcelas de consumidores. ''Várias categorias já tiveram dissídio e receberam aumento de salário.''
A redução nas despesas dos consumidores, segundo ele, também colaborou para incrementar os negócios do supermercado. ''No começo do ano, as pessoas gastam mais dinheiro para pagar impostos, material escolar e escola dos filhos. Passada essa fase, os gastos das famílias começam a se normalizar'', opinou.
O Mercadorama, pertencente à renda Sonae, vive em Londrina uma situação atípica. Graças a investimentos e mudanças na política de preços da loja, registrou aumentou de 160% nas vendas, durante os primeiros quatro meses do ano, ante o mesmo período do ano passado.
Os outros supermercados da rede registraram incremento de 15% no primeiro quadrimestre. De acordo com o gerente comercial da rede, José Luiz Fink, o principal motivo da performance foi a mudança na estratégia de preços. ''Diminuímos nossa margem para vender mais. Além disso, retomamos as negociações com fornecedores e conseguimos reduzir custos'', revelou.
O gerente do Condor, João Luiz Tibério, não tem a mesma percepção que os concorrentes com relação à recuperação de consumo. ''De abril para maio, o crescimento foi mínimo'', comentou. A expectativa da empresa é que as vendas se aqueçam no decorrer do ano. ''Com o aumento do PIB, esperamos que sobre alguma coisa para o varejo'', ressaltou.
No Musamar, o sócio-gerente Sérgio Obara também não observou grande melhoria nos negócios. Segundo ele, houve crescimento de 3% a 5% em abril com relação à março. Como os supermercados da empresa ficam na região central, ele atribui o desempenho à volta das aulas na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na contramão das redes varejistas, consumidores afirmam que reduziram o consumo em 2004. A dona de casa Marisa Capelari, 37, contou que sua lista de compras sofre cada vez mais cortes. ''Meu marido é funcionário público e está esperando aumento de salário há muito tempo'', disse ela, que deixou de comprar doces, produtos enlatados, tinturas de cabelo e perfumes.
A secretária Telma Aparecida Ernesto, 31, também cortou todos os produtos supérfluos da lista. ''Quando compro, escolho as marcas mais baratas'', contou. Mesmo com aumento de 7,47% no salário, o agento técnico de produção Ubiratã dos Santos, 39, não conseguiu recuperar seu poder de compra. ''Está tudo muito caro'', reclamou.


