ArquivoPrevisãoOcepar diz que Paraná vai produzir apenas 1,4 milhão de t A redução na área plantada de trigo no Paraná poderá ser ainda maior do que o anunciado até agora. A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) aponta uma redução de 16,9%, que corresponde a um plantio de 746.340 hectares. O último levantamento feito pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, divulgado no início do mês, apontava uma redução de 15,7% na área ocupada, caindo de 898.300 hectares para 757.000 hectares plantados. Para Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Seab, a baixa procura por sementes indica que a redução poderá ser ainda maior.
Segundo Flávio Turra, da Ocepar, o clima de desânimo entre os produtores é geral. Eles estão frustrados diante da insistência do governo com a política de preços que mantém o preço mínimo em R$ 157,00 a tonelada para o trigo de variedade superior. Para Hubner, a falta de perspectiva de preços e a demora na liberação de recursos para o custeio, desestimulou o produtor.
Mas o agravante é a falta de iniciativa do governo federal em manter as condições diferentes para o trigo importado, afirmou Turra. ‘‘ Enquanto não se definir uma equiparação com a questão dos prazos de pagamento e das taxas de juros, que atraem a importação’’, o plantio de trigo no país estará cada vez mais inviabilizado, prevê.
Com exceção da região Norte do Paraná, que mantém a mesma área de plantio da safra passada, que é de 268.500 hectares, todas as demais regiões estão registrando redução de plantio. A maior redução está se verificando na região Oeste, nos municípios de Toledo e Cascavel, afirmou o técnico da Ocepar. Nessas regiões, o produtor já havia optado pelo plantio de milho safrinha, justificou.
Com a redução da área plantada, a produção também será menor, apesar dos avanços de produtividade que tem recuado com a ausência de tecnologia. A previsão é de queda de 14% na safra - de 1,62 milhões de toneladas obtidas na safra passada, para 1,4 milhão de toneladas este ano, se não ocorrer frustração em função do clima.
Algodão perde qualidade O avanço da colheita do algodão no Paraná revela queda de 15% na produtividade, em função dos fatores de risco que prejudicaram o desenvolvimento da cultura. A Secretaria da Agricultura previa inicialmente um rendimento de 1.900 kg/ha e, atualmente, as lavouras estão rendendo, em média, 1.600 kg/ha. Com a redução na produtividade, a produção esperada cai de 228.000 t para 194.000 t de algodão em caroço, um prejuízo avaliado em R$ 15 milhões, informou Vera Zardo, técnica do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab.
Três fatores contribuíram para reduzir o rendimento da cultura, apontou a técnica. Primeiro foi a estiagem no mês de janeiro, depois a incidência de doenças viróticas e, desde março, vem aumentando a chuva na colheita. Além da baixa qualidade do algodão, cai também o rendimento da fibra no beneficiamento. A variedade IAC-22, a mais plantada, está apresentando um rendimento de 31%, sendo que o índice obtido na safra passada foi de 35%.
A Claspar confirma a queda na qualidade do algodão. Até agora, foram classificados 129.200 fardos, de 190 quilos em média, cada um, com rendimento médio de 6,55, cujo preço é ainda mais baixo do que o praticado para o tipo de 6. Atualmente o algodão tipo 6 está sendo comercializado por R$ 6,70, valor inferior ao preço mínimo de R$ 7,00.

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