Recuo do Iraque segura dólar em R$ 3,58
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo Uma enxurrada de notícias domésticas e internacionais invadiu o mercado na reta final de negócios, mas foi a decisão do Iraque de permitir a vigilância aérea de seu território o fator determinante para zerar a alta do dólar após a moeda registrar avanço de 0,94%.
A moeda norte-americana encerrou o dia nos mesmos R$ 3,585 para venda e R$ 3,58 para compra que fechou a sexta-feira, enquanto o risco Brasil, que chegou a subir mais de 1% durante a maior parte do dia, avança apenas 0,38% para 1.316 pontos apesar do rebaixamento da classificação de títulos brasileiros, sobre os quais o indicador opera, pelo banco de investimentos Merrill Lynch.
O Iraque enviou ontem uma carta aos inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) permitindo a inspeção aérea com aviões americanos U-2 e se comprometeu a declarar ilegal a utilização de armas de destruição em massa na legislação do país.
A notícia animou os investidores, que davam como iminente a guerra entre Iraque e EUA - que defendem a intervenção militar como único meio de frear um suposto programa de armas de destruição em massa iraquiano.
A decisão do Iraque enfraquece os argumentos norte-americanos, que já vinham encontrando dificuldade de obter apoio na comunidade internacional. Ontem, França, Rússia e Alemanha firmaram uma declaração conjunta se opondo à guerra contra o Iraque.
''Essa notícia, diminuindo a chance de uma guerra que o mercado já dava como certa, abre espaço para uma melhora (do mercado), que vem caindo por causa do cenário externo'', disse Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan.
A informação sobre o Iraque foi divulgada no momento em que o mercado estava parado para ouvir o porta-voz da Presidência da República, André Singer, divulgar uma série de medidas tomadas pelo governo - o que favoreceu o movimento de retração da alta. Os investidores aguardavam o anúncio de cortes no orçamento para ajustar as contas do governo à nova meta de superávit, de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), divulgada na semana passada.


