ArquivoIsonomiaMeneguette pede igual tratamento para os fertilizantes e defensivos O recuo do governo federal, que cedeu às pressões do Mercosul e modificou a Medida Provisória 1.569 (que restringia as importações financiadas) provocou indignação entre as lideranças do setor produtivo. O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, acionou até a bancada federal do Paraná para tentar reverter a decisão do governo, que abriu uma exceção para os produtos importados dos países do Mercosul. Eles passam a ter prazo de pagamento de 60 a 89 dias e limite de US$ 40 mil, nas negociações feitas até 31 de agosto, quando o governo irá reavaliar sua posição. Já o diretor da Ocepar, Nelson Costa, prevê a mobilização dos produtores, se o governo não retornar ao projeto original da MP.
Se for para manter as alterações na MP, Meneguette defende o mesmo tratamento na importação de insumos, ou seja, a liberação da exigência do pagamento à vista também para esses produtos. Ele explica que a MP daria um alento aos produtores rurais do Sul do País, que competem com os produtores do Mercosul no cultivo do trigo, soja, milho, algodão, derivados do leite, carne, cevada e outros.
A Ocepar também criticou o recuo do governo, alegando que essas oscilações geram incerteza para o produtor, principalmente nesta fase de plantio de trigo. Para Flávio Turra, o produtor vai ‘‘plantar no escuro’’, porque o governo promete rever essa decisão somente daqui a 120 dias, exatamente quando vai entrar a safra no mercado. E é evidente que os argentinos vão pressionar o governo brasileiro para estender as alterações por um prazo maior, que vai facilitar a entrada do trigo argentino no país, afirmou Turra.
‘‘O governo federal, ao mesmo tempo em que se mostra sensível aos apelos dos países vizinhos do Mercosul, revela total insensibilidade e desinteresse às reivindicações do produtor nacional que vem denunciando, há algum tempo, os altos custos da importação de insumos’’, observou Nelson Costa, diretor da Ocepar. Ele aponta uma elevação de 15% na importação desses produtos, que aumenta o custo de produção dos produtos brasileiros e inviabiliza a competição.
A preocupação da Ocepar é com a indefinição do governo. Segundo o técnico, o governo vai reavaliar sua decisão, em decorrência do impacto que as importações vão provocar no comportamento da balança comercial. Se optar pelo recuo total na MP, mais uma vez será um duro golpe para a triticultura nacional, avaliou Turra. Para o produtor de algodão, a situação é mais confortável, lembrou o técnico, porque quando for a época de o governo decidir, ele terá tempo de avaliar se é vantagem ou não plantar.

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